Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

BC libera recursos para sustentar crédito

O Banco Central brasileiro decidiu implementar, nesta segunda-feira, um programa de liberação integral de recursos que deveriam ser recolhidos pelos bancos à autoridade monetária (recolhimento compulsório). Segundo nota do Banco Central, as liberações serão efetuadas de acordo com as necessidades de recursos (liquidez) dos mercados. Ação coordenada na Europa tende a aplacar a fúria do mercado

Segunda, 13 de Outubro de 2008 às 10:05, por: CdB

O Banco Central brasileiro decidiu implementar, nesta segunda-feira, um programa de liberação integral de recursos que deveriam ser recolhidos pelos bancos à autoridade monetária (recolhimento compulsório). Segundo nota do Banco Central, as liberações serão efetuadas de acordo com as necessidades de recursos (liquidez) dos mercados.

A regra vale para os depósitos a prazo, depósitos interfinanceiros (leasing) e sobre exigibilidade adicional (compulsório adicional) de depósitos à vista e a prazo. Com a medida, o Banco Central injeta até R$ 100 bilhões no mercado. A decisão do Banco Central é mais uma reação ao agravamento da crise financeira internacional, que tem levado à redução dos recursos disponíveis no mercado para empréstimos entre os bancos e para as empresas. O BC já havia liberado cerca de R$ 60 bilhões, com mudanças nas regras de depósitos compulsórios.

No Brasil, a falta de liquidez tem afetado principalmente os pequenos e médios bancos. Quanto o BC libera os bancos de recolher dinheiro, sobram mais recursos para as instituições financeiras cobrirem suas despesas e, assim, manter a oferta de crédito ao mercado.

Ação na Europa

Diante da crise financeira mundial, a atuação conjunta dos países que integram a chamada zona do euro pode não dar fim ao risco de quebra do sistema econômico, mas tem capacidade para, pelo menos, estancar as oscilações dos mercados internacionais. A avaliação foi feita pelo professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), João Paulo Peixoto, em entrevista pela manhã, a jornalistas.

No último sábado, líderes de 15 países da zona do euro reunidos em Paris anunciaram que vão permitir empréstimos interbancários para conter os estragos causados pela crise financeira. Para Peixoto, o encontro pode provocar uma “reversão de expectativa” nas lideranças mundiais, uma vez que uma ação conjunta tende a acalmar os mercados.

Segundo Peixoto, a situação é de extrema complexidade e o cenário é uma espécie de repetição do que o mundo viveu em 1929, mas com impacto maior já que a economia mundial é mais interdependente do que naquela época, quando não havia a União Européia e o Brasil não dispunha sequer do Banco Central.

– Uma coisa muito difícil de se resolver é que essa situação toda está muito baseada em um aspecto subjetivo, que é  a confiança. A idéia é restabelecer a confiança – este é o primeiro ponto a ser vencido. É algo que depende muito da decisão de cada um, não é algo que possa ser comprado na prateleira ou imposto por legislação. Virá com o resultado da percepção dos investidores e dos cidadãos no que diz respeito às medidas tomadas – afirmou.

A força dos emergentes

Peixoto destaca que  os países emergentes já têm maior força financeira e que poderiam contribuir para a solução da crise – sobretudo, Brasil, Rússia, Índia e China (Bric). Apesar de comporem um bloco econômico e político importante nas relações internacionais, as quatro nações, de acordo com o especialista, não têm voz condizente com a sua posição.

– Há sempre um déficit de participação nas decisões tomadas a nível mundial. Tanto é que o Brasil pleiteia um lugar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e vários outros países entendem que ele precisa ser ampliado. As economias brasileira, russa, indiana e chinesa são expressivas não só no relacionamento econômico entre (esses países) mas (do bloco) com o resto do mundo – disse.

No caso específico do Brasil, ele destaca que um país com quase 220 milhões de habitantes, com uma classe média que se fortalece e se amplia, com um parque industrial extremamente diversificado e com um mercado consumidor ávido, a conclusão óbvia é de “uma economia de peso”.

– Para não falar da questão geopolítica e da própria presença do Brasil na América do Sul – ressaltou.

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