O Índice de Preços ao Consumidor amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve chegar ao fim deste ano em 4%, patamar superior ao de 2006 (3,14%). A projeção consta do Relatório Trimestral de Inflação relativo a setembro divulgado na quinta-feira, pelo Banco Central (BC). Desta vez, a estimativa de inflação do Banco Central para este ano ficou acima das projeções dos analistas de mercado, que passaram de 3,5% para 3,9%. Segundo o BC, o motivo da alta é a elevação dos preços livres (que não são monitorados).
De acordo com o documento, ao contrário do que ocorreu em 2006, quando o comportamento da inflação foi favorecido pelo preço dos alimentos, em 2007 tem sido afetada negativamente pela reversão disso, ou seja, pela alta dos preços de alimentos. A projeção do Banco Central para o IPCA em 2008 passou de 4,1% para 4,2%, enquanto os analistas de mercado projetam 4,3%, contra os 4,6% projetados anteriormente.
A alta ocorre depois de quatro anos seguidos de recuo. Depois de fechar 2006 em 3,14%, o IPCA voltou a subir em 2007. “De fato a inflação acumulada em 12 meses, que havia recuado para 2,96% em março, subiu para 3,69% em junho, atingiu 4,18% em agosto e provavelmente encerrará o ano em patamar bem superior ao registrado em 2006”.
Segundo o relatório, os preços administrados (tarifas de energia, telefonia, de transporte e combustíveis) têm sido bastante benignos, com a inflação acumulada até agosto de 1,19%, ante 3,07% em 2006. De qualquer forma, o BC acredita que a dinâmica dos preços ainda indica que a inflação tende a continuar evoluindo, segundo a trajetória de metas. O relatório informa que a expectativa da inflação é menos favorável devido aos riscos, tanto do ponto de vista de fatores externos (a crise financeiras norte-americana), quanto internos (o aumento do consumo a partir da queda dos juros).
Crescimento garantido
Ainda segundo o relatório do BC, embora a inflação no país possa ficar acima do previsto, este fato não deverá comprometer o crescimento esperado para a economia brasileira. O relatório coloca uma projeção para a taxa de crescimento sem alterações e o BC indica que espera uma expansão de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O BC também chama a atenção para a degradação no cenário de preços nos últimos meses, assim como na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
"O cenário benigno para os preços ao consumidor que vinha se materializado, com maior intensidade, desde meados do ano passado, arrefeceu", afirmou o BC no documento.
Embora ressalte que essa pressão era esperada e que a inflação, ainda assim, segue dentro da trajetória das metas, os diretores do BC indicaram mais uma vez que cautela continua sendo a marca registrada da política de juros no país.
"Em momentos como o atual, a prudência na condução da política monetária passa a ter papel ainda mais importante, haja vista que a deterioração do balanço de riscos inflacionários reduz a margem de segurança da política monetária", conclui o relatório.