Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

BC faz intervenção pesada e dólar cai 3,2%

Quinta, 23 de Outubro de 2008 às 16:47, por: CdB

O dólar fechou em queda acentuada nesta quinta-feira, em sessão de forte volatilidade, com as medidas do Banco Central contendo o avanço inicial da moeda apesar do pessimismo sobre os impactos da crise financeira na economia mundial.

A moeda norte-americana caiu 3,19%, a 2,305 reais, em sessão de volume de negócios acima da média. Apesar da forte baixa, a divisa ainda acumula alta quase 9% na semana.

O dólar abriu a sessão em forte alta subindo mais de 6% logo nos primeiros negócios da sessão, acompanhando o mau humor dos principais mercados mundiais.

A Bovespa perdia cerca de 6%, seguindo as oscilações dos índices acionários norte-americanos que se mantinham em território negativo.

No entanto, a tendência do mercado cambial foi rapidamente invertida com uma série de medidas do Banco Central.

Segundo Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, o principal fator que impulsiona as cotações do dólar são as incertezas sobre posicionamentos equivocados dos agentes no mercado futuro.

- Ele vinha usando doses homeopáticas. Ele tinha que vir com um lote que supere essa posição (dos mercados futuros) - afirmou Voss, lembrando que as previsões mais pessimistas apontam para um cenário de 20 bilhões de dólares em posições vendidas --que funcionam como uma aposta contra o real.

Para mostrar que o escopo de atuação no mercado futuro é forte, o BC afirmou que pode colocar até 50 bilhões de dólares em contratos de swap cambial no mercado.

O anúncio já garantiu uma desaceleração na alta da moeda americana. A virada foi garantida por uma atuação pesada da autoridade monetária.

Durante a sessão, o BC realizou três leilões de venda de dólares no mercado à vista e dois leilões de swap.

Mas Voss, ressalta que a impossibilidade de se avaliar detalhadamente o real tamanho do problema nos mercados de derivativos impede que os mercados se estabilizem antes de uma definição do futuro do governo norte-americano nas eleições presidenciais do dia 4 de novembro.

João Medeiros, diretor de câmbio da Pioneer Corretora, acredita que o recuo do dólar nesta sessão não configura uma reversão de tendência, mas um movimento pontual.

- Hoje ele (o BC) intercedeu muito forte e pode ter feito uma pressão... mas nós continuamos com... exportadores pressionados, um volume muito grande de importação e isso pode gerar um desconforto - afirmou.

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