Depósitos de empresas de leasing em outras instituições financeiras terão recolhimento compulsório (obrigatório) ao Banco Central a partir de maio. A medida foi adotada porque aumentaram os recursos gerados pelas operações de leasing.
"O contínuo crescimento dessas captações [dos depósitos das empresas de leasing nos bancos] tornou essa fonte de recursos relevante quando comparada aos passivos bancários sujeitos a recolhimento compulsório”, diz a nota.
O depósito compulsório é uma forma de atuação do Banco Central para garantir o poder de compra da moeda e reduzir os recursos disponíveis na economia para empréstimo. O excesso de moeda pode gerar inflação.
Segundo nota divulgada na noite de quinta-feira pelo Banco Central, o objetivo é dar tratamento igualitário à captação de recursos dos bancos, uma vez que para os depósitos à vista e a prazo já há recolhimento obrigatório.
“Com essa medida, essa fonte de recursos ficará sujeita à exigibilidade de recolhimento similar à aplicação aos depósitos à prazo”, diz a nota.
A medida vale para bancos comerciais, múltiplos, de desenvolvimento, investimento, de câmbio, caixas econômicas e sociedades de crédito, financiamento e investimento.
Essas instituições deverão recolher ao Banco Central em títulos públicos federais até 25% dos depósitos captados das empresas de leasing. A aplicação desse recolhimento será progressiva.
De acordo com o BC, o compulsório sobre o saldo existente ontem terá alíquota de 0% em março, 5% maio, 10% em julho, 15% em setembro, 20% em novembro e 25% em janeiro de 2009.
De acordo com o BC, em dezembro de 2007, os depósitos à vista chegaram a R$ 130 bilhões, à prazo a R$ 298 bilhões, de Poupança, R$ 235 bilhões e os interfinanceiros de sociedades de arrendamento mercantil (leasing) ficaram em R$ 160 bilhões.
Para o economista e ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni, a decisão é uma ação preventiva.
— Visa a desacelerar o ritmo de crédito principalmente para pessoas físicas, que vem [crescendo] numa taxa superior a 20% ao ano —, disse.
Langoni explicou que o objetivo não é desaquecer a economia de forma exagerada, mas reconhecer que de fato há um risco de a inflação apresentar desvio exagerado em relação à meta oficial de 4,5% no ano.
— O Banco Central está usado esse instrumento de reduzir a expansão do crédito em vez de, por exemplo, tomar uma medida muito mais drástica que seria a elevação da taxa Selic [a taxa básica de juros da economia] —, avaliou Langoni.
Langoni acrescentou que o BC procurou atuar no "segmento mais forte da economia", que são as empresas.
— O Banco Central mirou no leasing porque tem vantagens fiscais (dedução do imposto de renda) para as empresas. É mais usado pelas empresas do que pelas pessoas físicas —, completou.
Segundo Langoni, de uma certa forma o BC procurou atuar no segmento mais forte da economia que é a demanda das empresas e de uma certa forma está preservando o crédito que beneficia as pessoas físicas.
— Mas como há uma interconexão, os bancos vão ter menos recursos para disponibilizar de uma maneira geral —, explicou.
BC estabelece recolhimento compulsório para depósitos de empresas de leasing
Sexta, 01 de Fevereiro de 2008 às 13:38, por: CdB