O Banco Central elevou sua projeção para a inflação este ano e reduziu a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou o Relatório de Inflação do segundo trimestre divulgado nesta quinta-feira.
Após nove meses seguidos de elevação da taxa de juros, a autoridade monetária estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechará 2005 em 5,8% (acima da meta perseguida de 5,1%). A estimativa para o PIB é de uma alta de 3,4%.
Em março, quando foi divulgado o primeiro Relatório do ano, a aposta do BC era de expansão econômica de 4% no ano, com inflação de 5,5%.
"O crescimento de 0,3 ponto percentual (da projeção da inflação)... resultou primordialmente da inflação de março a maio ter sido acima do previsto à época e da revisão para cima dos preços administrados para 2005, que mais do que compensou os efeitos do aumento dos juros reais e da apreciação cambial sobre a projeção de inflação", afirmou o BC.
A autoridade monetária atribuiu a menor expectativa de crescimento à quebra da safra agrícola, à "dinâmica recente da demanda" e à revisão dos dados do PIB de 2004 feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
"O resultado do PIB (no primeiro trimestre de 2005), avaliado pela ótica do dispêndio, evidenciou a retração da demanda doméstica em intensidade maior do que a antecipada."
Para 2006, a projeção de inflação foi reduzida ligeiramente para 3,7%, ante 3,8% em março. A alteração, segundo o BC, deve-se ao aperto monetário e ao câmbio apreciado.
Os prognósticos do BC levam em conta uma taxa Selic estável em 19,75% ao ano e uma taxa de câmbio próxima a 2,47 reais por dólar.
Um segundo cenário, construído com base nas expectativas do mercado para o câmbio e os juros, projeta uma inflação de 6,3% para 2005 e de 4,7% para 2006, acrescentou o documento.