Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

BC eleva projeção do IPCA, mas vê menor pressão inflacionária

Terça, 29 de Março de 2005 às 12:01, por: CdB

O Banco Central elevou a projeção do IPCA para 2005 após as altas de preços no início do ano terem vindo acima do esperado, mas minimizou preocupações com os riscos inflacionários e deu sinais adicionais de que já está mirando na meta de inflação de 2006.

Com base nos comentários, contidos no Relatório de Inflação do primeiro trimestre divulgado nesta terça-feira, analistas já avaliam que as altas de juros podem ser interrompidas em abril.
A estimativa para a inflação este ano foi elevada de 5,3% para 5,5% e, para 2006, a projeção caiu para 3,8% , ante aposta anterior de 4%.

A projeção de 2005 está acima da meta perseguida para o ano, mas o BC destacou que o crescimento da economia agora ocorre a um ritmo menor e que o processo de aceleração da alta de preços verificado no final de 2004 foi interrompido.

O BC mira uma inflação de 5,1% este ano, apesar de a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ser de 4,5%, com tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Para 2006, a meta é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais.

- Apesar do aumento da projeção da inflação para 2005, as perspectivas são de convergência da inflação para a trajetória de metas já a partir do segundo trimestre de 2006 - afirmou o BC.

Analista de mercado entenderam a declaração do BC como uma sinalização de que a autoridade monetária está desistindo da meta deste ano e concentrando na inflação de longo prazo.

- Ele (Banco Central) está sinalizando que o custo para se atingir exatamente os 5,1% é muito alto, porque no longo prazo o BC vê que a inflação está convergindo para abaixo da meta - afirmou Helcio Takeda, economista do American Express Bank.

- O relatório sugere que o BC pode parar o aperto, que essa alta de março pode ter sido a última - segundo ele. 

O diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, negou, contudo, que a autoridade monetária tenha abandonado a meta de 5,1%. 

- (Inflação pelo IPCA de) 5,1% continua sendo o objetivo, continuará sendo o objetivo - afirmou Bevilaqua a jornalistas.

Ele destacou que a projeção do BC foi elevada em função dos resultados acima do esperado do IPCA nos primeiros meses do ano e que ela leva em consideração o cenário atual.

- Com certeza ainda não observamos todo o efeito de alta de juros sobre a inflação.

- Tem que ter paciência - disse Bevilaqua, acrescentando que as projeções para a inflação em 2006 já refletem um efeito da política monetária.

Ele também notou que, no passado, as projeções do BC para a inflação já ficaram acima da inflação efetiva.

No relatório, o BC notou que a probabilidade de que fatores como o descasamento entre oferta e demanda prejudiquem a convergência da inflação para as metas se reduziu. O cenário externo, por outro lado, ficou menos favorável à inflação, segundo a autoridade monetária, que destacou a alta do preço do petróleo e a maior preocupação com a inflação norte-americana.

Bevilaqua ponderou, no entanto, que o país está atualmente melhor preparado para enfrentar eventuais turbulências externas.

Para este ano, a projeção de alta do PIB foi mantida em 4%.

- A expansão econômica ocorre a um ritmo menor, mais condizente com as condições de oferta, de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação - argumentou o BC no relatório.

Bevilaqua afirmou que as expectativas de inflação do mercado não refletiram desenvolvimentos favoráveis à inflação, como a desaceleração do crescimento e a própria atuação do BC. Questionado sobre o porquê dessa resistência, ele afirmou que "expectativas são o que são" e ressaltou que essas expectativas são apenas um dos ingredientes usados pelo BC na construção de suas próprias estimativas.

As projeções do BC foram construídas em cima de um cenário que considera a taxa Selic estável a 19,25% e

Tags:
Edições digital e impressa