O Banco Central decidiu em dezembro, por consenso, que o processo de flexibilização monetária deve continuar, mas reafirmou que continuará observando atentamente o comportamento da inflação à frente e elevou suas perspectivas para a alta dos preços neste ano e no próximo. Os comentários foram feitos na ata da reunião de 13 e 14 de dezembro, divulgada nesta quinta-feira. Na ocasião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros em 0,50 ponto percentual por seis votos a dois, para 18 %.
Para analistas, o BC deixou um espaço aberto para uma redução maior dos juros, em 0,75 ponto, em breve, mas fez questão de ser cauteloso e mostrar que perseguirá o centro da meta do ano que vem.
- Ainda acho que vai ser 0,75 (ponto de corte em janeiro), mas a ata foi mais direção de 0,50 ponto. O que deixou meio em dúvida na avaliação dele, a atividade não está tão fraca, então ele ainda vê uma dinâmica forte da economia - disse Adauto Lima, economista-chefe do WestLB do Brasil.
Dois membros do Copom votaram por corte de 0,75 ponto, dizendo que tal movimento "proporcionaria uma sinalização mais condizente com o atual balanço de riscos entre atividade e inflação". Os demais membros afirmaram que uma redução menor, de 0,50 ponto, era mais adequada já que "corresponderia melhor à velocidade ótima de implementação desse processo de flexibilização e contribuiria para aumentar a magnitude do ajuste total a ser implementado".
O Copom elevou sua projeção para a inflação neste ano, que segue acima da meta de 5,1 %. O prognóstico para a taxa em 2006 também foi elevado em relação à reunião de novembro, mas segue abaixo do centro da meta. Sandra Utsumi, economista-chefe do Bes Investimentos, afirmou que o momento de um corte de 0,75 ponto percentual dependerá da evolução da inflação:
- Eles subjetivamente deixaram claro que há espaco para corte de 0,75 ponto, mas a leitura deles é 'eu prefiro ser mais cauteloso. A cada reunião eu aumento a probabilidade de cumprir a meta de 2006 e eu não quero acelerar e perder essa oportunidade, quero consolidar essa probabilidade.
Ela disse ainda que a deterioração das expectativas do BC deveu-se à taxa de câmbio maior na reunião de dezembro que na de novembro. Os prognósticos do BC são feitos com base em um cenário de taxa Selic de 18,50% e taxa de câmbio de R$ 2,25 reais do horizonte de projeção. O Copom não divulga as expectativas na ata, apenas no Relatório de Inflação, publicado trimestralmente.
Pressão temporária
O Copom disse também que a desaceleração da inflação deve manter-se em dezembro, depois de ser pressionada por reajustes de preços monitorados e administrados recentemente, mas ressaltou que pressões sazonais de alimentos e vestuários devem continuar: "O Copom avalia que a maior inflação registrada nos últimos dois meses segue sendo determinada em grande medida pelos efeitos do reajuste dos preços domésticos dos combustíveis..., bem como pela reversão parcial da dinâmica favorável dos preços dos alimentos observada em meses recentes", disse a ata.
"Dada a natureza de tais pressões, espera-se que tenham caráter transitório..., sem que necessariamente observemos contaminação para horizontes mais longos. Cabe ressaltar, entretanto..., que o Copom continuará acompanhando atentamente, nos próximos meses, a evolução da inflação e do seu núcleo, discriminando entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados de preços e adequando prontamente a postura da política monetária às circunstâncias."
Recuperação econômica
Segundo a autoridade, a atividade econômica deverá se recuperar nos próximos meses e continuar em expansão, em ritmo condizente com as condições de oferta, não gerando pressões significativas sobre a inflação. O BC repetiu ainda que, apesar da volatilidade ainda vista nos mercados financeiros internacionais e da continuidade dos preços do petróleo em pat