O Banco Central da China anunciou, neste domingo, que manterá o yuan em um nível basicamente estável, sugerindo que o novo regime cambial do país se parecerá muito com o antigo. Na véspera, a China afirmou que tornaria o iuan mais flexível, sinalizando que acabaria com 23 meses de um câmbio fixo frente ao dólar. A medida teria o objetivo de evitar críticas do G20 na cúpula prevista para este mês, mas não deve provocar uma mudança brusca no sistema. Em comunicado, o Banco Central chinês explicitou que não há base para qualquer grande apreciação repentina da moeda, acrescentando que o câmbio não está distante de um nível justo.
A mudança no regime cambial chinês, no entanto, não tende a as exportações de cobre do chile, segundo o ministro da Mineração chileno, Laurence Golborne. O Chile, o maior produtor mundial de cobre, tem como principal destino das exportações da commodity o mercado asiático. Seu principal comprador é a China.
– Temos que ver como será a gradualidade, mas não deverá haver um impacto significativo. Se é um processo de reavaliação muito brusco que signifique menos competitividade na indústria chinesa, isso poderá se traduzir em menor demanda de commodities, mas não creio que seja isso, pois os chineses sempre demonstraram muito cuidado com sua economia – disse Golborne aos jornalistas.
O anúncio sugere que o banco central chinês usará seu sistema de fixar taxas de referência diárias para o iuan a fim de guiar a moeda a um caminho de valorização gradual contra o dólar, depois de um período de três anos de câmbio fixo, desde meados de 2008.
– Temos que ver se a medida será efetiva e o quão gradual será. Não deverá ter impacto sobre as exportações de minério do Chile – disse Golborne.
Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu positivamente o anúncio da China de que irá retomar a reforma da taxa de câmbio para tornar o yuan mais flexível.
"A decisão da China de aumentar a flexibilidade de sua taxa de câmbio é um passo construtivo que pode ajudar a garantir a recuperação e contribuir para uma economia mundial mais equilibrada", disse Obama, em um comunicado divulgado na noite passada.