O Comitê de Política Monetária (Copom) abrandou o tom conservador emitido na ata de janeiro e disse ver riscos menores para a convergência da inflação para a meta e que portanto o aperto monetário pode se dar nor ritmo anteriormente programado. Apesar de ter identificado uma queda em sua projeção de inflação em 2005, o Banco Central prevê que realizará novas altas de juros, já que ela se mantém acima da meta de 5,1%.
O número de altas adicionais de juros dependerá da confirmação do cenário econômico benigno e da percepção por parte dos agentes econômicos de que "após a conclusão desse processo a taxa de juros será mantida constante por um período suficientemente longo de tempo". Na ata de janeiro, o BC chegou a dizer que poderia aumentar o ritmo das altas de juros, que vinham ocorrendo em 0,50 ponto percentual.
"O Copom avaliou que, tendo se reduzido os riscos de interrupção no processo de convergência da inflação para a trajetória das metas detectados por ocasião da reunião de janeiro, o processo de ajuste da taxa de juros básica deveria ser mantido no ritmo originalmente programado", disse o documento desta quinta-feira. Isso porque, segundo o BC, o aperto já realizado aumenta a probabilidade de que a desaceleração recente da inflação no atacado seja repassada para o consumidor. Além disso, a sazonalidade positiva dos alimentos, que pode estar sendo antecipada neste ano, pode contribuir para um "primeiro semestre com taxas de inflação que proporcionem maior confiança no processo de convergência para a trajetória de metas durante 2005".
Em fevereiro, o BC elevou os juros pela sexta vez consecutiva, em 0,50 ponto, para 18,75 %. O BC rebateu ainda, na ata de fevereiro, as críticas crescentes de que a eficiência da política monetária no combate à inflação tem sido reduzida por gastos crescentes do governo e pelo crescimento do crédito.
"É importante ressaltar que impulsos expansionistas de qualquer natureza requerem resposta adequada da política monetária, mas sua ocorrência de modo algum configura perda de efetividade dos instrumentos monetários convencionais".