O Banco Central aposta na solidez da economia brasileira para enfrentar os recentes choques externos, mas já vê inflação ligeiramente acima da meta de 5,5% neste ano. Esta indicação, que consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, leva em conta o juro básico estável em 16% ao ano e dólar a R$ 3,10.
"Em relação a abril, houve aumento da projeção (de inflação) para 2004 em virtude principalmente do maior valor utilizado para a taxa de câmbio", descreveu a ata, divulgada nesta quinta-feira.
Na semana passada, o Copom manteve por seis votos a três a taxa básica da economia, em meio a uma intensa turbulência dos mercados.
O cenário externo mais adverso - com petróleo em alta e receio de juro maior nos Estados Unidos - justificou a decisão, embora todos os membros do Copom tenham considerado que o país tem condições "de absorver esse choque externo sem prejuízos à estabilidade macroeconômica e às suas perspectivas de crescimento".
Ainda que não tenha deixado de olhar o centro da meta de inflação, o colegiado do BC lembrou que o sistema é flexível o suficiente para evitar custos significativos à economia no caso de os choques externos se prolongarem.
O regime prevê intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais, o que coloca o teto da meta deste ano em 8%.
"Assim sendo, mesmo nesse cenário menos provável, o crescimento poderia continuar contando com a sustentação proporcionada pela recuperação do rendimento real do trabalho", avaliaram os membros do Copom.
Petróleo
Na ata, o Copom avaliou ainda que o cenário mais provável é de que os preços internacionais do petróleo se acomodem nos próximos meses e manteve sua projeção de aumento dos preços da gasolina neste ano em 9,5 por cento.
"Considerando-se a queda de preços ocorrida desde janeiro, deixaria margem para um aumento de 11,8 por cento durante o restante do ano", completou a ata.
Mas se o cenário tido como mais provável não se concretizar e o salto do petróleo persistir, o Copom precisará "reavaliar essas projeções e os possíveis impactos" sobre a inflação.
O Copom elevou as projeções para o reajuste das tarifas de energia elétrica residencial neste ano, de 8,5% para 11%. No caso dos preços administrados, a estimativa de aumento em 2004 passou de 7,4% para 7,7%.