Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

BC aposta em solidez, mas inflação sobe

O Banco Central aposta na solidez da economia brasileira para enfrentar os recentes choques externos, mas já vê inflação ligeiramente acima da meta de 5,5% neste ano. Esta indicação, que consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, leva em conta o juro básico estável em 16% ao ano e dólar a R$ 3,10. (Leia Mais)

Quinta, 27 de Maio de 2004 às 07:17, por: CdB

O Banco Central aposta na solidez da economia brasileira para enfrentar os recentes choques externos, mas já vê inflação ligeiramente acima da meta de 5,5% neste ano. Esta indicação, que consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, leva em conta o juro básico estável em 16% ao ano e dólar a R$ 3,10.

"Em relação a abril, houve aumento da projeção (de inflação) para 2004 em virtude principalmente do maior valor utilizado para a taxa de câmbio", descreveu a ata, divulgada nesta quinta-feira.

Na semana passada, o Copom manteve por seis votos a três a taxa básica da economia, em meio a uma intensa turbulência dos mercados.

O cenário externo mais adverso - com petróleo em alta e receio de juro maior nos Estados Unidos - justificou a decisão, embora todos os membros do Copom tenham considerado que o país tem condições "de absorver esse choque externo sem prejuízos à estabilidade macroeconômica e às suas perspectivas de crescimento".

Ainda que não tenha deixado de olhar o centro da meta de inflação, o colegiado do BC lembrou que o sistema é flexível o suficiente para evitar custos significativos à economia no caso de os choques externos se prolongarem.

O regime prevê intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais, o que coloca o teto da meta deste ano em 8%.

"Assim sendo, mesmo nesse cenário menos provável, o crescimento poderia continuar contando com a sustentação proporcionada pela recuperação do rendimento real do trabalho", avaliaram os membros do Copom.

Petróleo

Na ata, o Copom avaliou ainda que o cenário mais provável é de que os preços internacionais do petróleo se acomodem nos próximos meses e manteve sua projeção de aumento dos preços da gasolina neste ano em 9,5 por cento.

"Considerando-se a queda de preços ocorrida desde janeiro, deixaria margem para um aumento de 11,8 por cento durante o restante do ano", completou a ata.

Mas se o cenário tido como mais provável não se concretizar e o salto do petróleo persistir, o Copom precisará "reavaliar essas projeções e os possíveis impactos" sobre a inflação.

O Copom elevou as projeções para o reajuste das tarifas de energia elétrica residencial neste ano, de 8,5% para 11%. No caso dos preços administrados, a estimativa de aumento em 2004 passou de 7,4% para 7,7%.

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