Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

BC anuncia nova operação para irrigar país com dólares

O Banco Central anunciou nesta segunda-feira que passará a comprar títulos de bancos brasileiros no exterior, com o compromisso de revenda, para fortalecer o financiamento ao comércio exterior em um momento de forte retração de liquidez no mercado global por conta da crise financeira. (leia mais)

Segunda, 06 de Outubro de 2008 às 15:40, por: CdB

O Banco Central anunciou nesta segunda-feira que passará a comprar títulos de bancos brasileiros no exterior, com o compromisso de revenda, para fortalecer o financiamento ao comércio exterior em um momento de forte retração de liquidez no mercado global por conta da crise financeira.

Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, o governo não predeterminará o volume dessas compras, que serão feitas por meio de leilão, com recursos das reservas, "na medida do necessário".

- No exterior, o Banco Central vai receber títulos de primeira qualidade, títulos da República Federativa do Brasil e outros títulos de primeira qualidade a serem definidos pelo Conselho Monetário Nacional, e, depois, no contrato de recompra, o Banco Central recebe de volta os dólares e devolve os títulos - afirmou Meirelles em entrevista à imprensa concedida em conjunto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

- De novo, uma operação totalmente garantida, mais uma vez, no uso inteligente das reservas internacionais do Brasil - acrescentou o presidente do BC.

Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social receberá recursos do Tesouro Nacional para ampliar em cerca de 5 bilhões de reais as linhas de crédito para exportadores.

Meirelles e Mantega reiteraram que, se for preciso, o governo irá adotar medidas adicionais para manter a economia irrigada.

- O Banco Central está preparado para tomar medidas adicionais se necessário. Em nenhum momento existe uma decisão de que é só isso e ponto final - afirmou Meirelles.

O anúncio do governo foi feito ao final de um dia dramático para os mercados brasileiro e globais que refletiam temores de uma recessão mundial e da contaminação da crise financeira na Europa.

O Ibovespa, índice mais importante da bolsa paulista, fechou com desvalorização de 5,43 por cento. Ao longo do dia, o pregão foi interrompido duas vezes, chegando a cair mais de 15 por cento.

O dólar disparou 7,5%, maior alta diária em mais de nove anos.

As duas medidas de fortalecimento ao comércio exterior anunciadas nesta segunda-feira se somam a outras iniciativas tomadas pelo BC nas últimas semanas.

A autoridade monetária já promoveu duas alterações nas regras dos recolhimentos compulsórios de depósitos bancários para liberar recursos dos bancos que ficavam retidos junto à autoridade monetária para a economia.

O BC também retomou no mês passado leilões de venda de dólar, com compromisso de recompra, operação que não era feita desde 2003.

Em outra medida para fornecer dólares ao mercado, o BC promoveu nesta segunda-feira um leilão de swap cambial tradicional, contrato que funciona como uma venda futura de dólares. Foram vendidos contratos no valor de 1,5 bilhão de dólares.

- Na medida em que há crise no sistema financeiro americano e europeu, agora há uma restrição muito grande da liquidez em dólar, o que impacta o Brasil uma vez que temos exportações financiadas - afirmou Meirelles ao resumir os efeitos da crise para o país.

O presidente do BC e o ministro da Fazenda, reiteraram que, apesar de a crise financeira viver seu momento mais agudo, o Brasil tem uma economia sólida, com ativos saudáveis, e a tendência é que os mercados retomem à normalidade à frente.

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