Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

BC ameniza tom da ata, mas ainda sinaliza alta de juro

Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 16:52, por: CdB

O Comitê de Política Monetária (Copom) abrandou o tom conservador emitido na ata de janeiro e afirmou que, por ver riscos menores para a convergência da inflação à meta, o aperto monetário pode se dar no ritmo anteriormente programado.

Apesar de ter identificado queda em sua projeção de inflação para 2005, o Banco Central prevê, na ata de fevereiro divulgada nesta quinta-feira, que promoverá mais alta de juros --uma vez que a projeção permanece acima da meta de 5,1 %.

O número de elevações adicionais da Selic dependerá da confirmação do cenário econômico benigno e da percepção por parte dos agentes econômicos de que "após a conclusão desse processo a taxa de juros será mantida constante por um período suficientemente longo de tempo".

Na ata de janeiro, o BC chegou a dizer que poderia acentuar o ritmo das altas de juros, que vinham ocorrendo mensalmente em 0,50 ponto percentual.

"O Copom avaliou que, tendo se reduzido os riscos de interrupção no processo de convergência da inflação para a trajetória das metas detectados por ocasião da reunião de janeiro, o processo de ajuste da taxa de juros básica deveria ser mantido no ritmo originalmente programado", apontou a ata.

Isso porque, segundo o BC, o aperto já realizado aumenta a probabilidade de que a desaceleração recente da inflação no atacado seja repassada para o consumidor. Além disso, a sazonalidade positiva dos alimentos, que pode estar sendo antecipada neste ano, pode contribuir para um "primeiro semestre com taxas de inflação que proporcionem maior confiança no processo de convergência para a trajetória de metas".

"Eu diria que (o alerta da ata) era vermelho em janeiro, estavam muito preocupados, e agora está laranja, ou amarelo", afirmou o economista da MCM Consultores Antonio Madeira, para quem a alta da Selic em março pode ficar abaixo de 0,50 ponto dependendo do comportamento da inflação de fevereiro.

Neste mês, o BC elevou os juros pela sexta vez, para 18,75 %.

Na ata, o BC também rebateu as críticas crescentes de que a eficiência da política monetária no combate à inflação tem sido reduzida por gastos crescentes do governo e pelo aumento do crédito para as pessoas físicas.

"É importante ressaltar que impulsos expansionistas de qualquer natureza requerem resposta adequada da política monetária, mas sua ocorrência de modo algum configura perda de efetividade dos instrumentos monetários convencionais."

O Copom notou ser "inegável" que a redução do gasto público contribui para o controle da inflação e abre mais espaço para a queda dos juros, mas argumentou que "isso não significa que a atual postura de política fiscal torne ineficazes" os movimentos da política monetária.

O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, disse à tarde para jornalistas ter considerado "normal" a avaliação do BC sobre a política fiscal. "É o que temos falado todos os dias", afirmou, quando questionado.

Levy acrescentou que é "natural" que haja um debate sobre o gasto público em um momento de alta atividade. "No momento em que a economia cresce, é natural que as pessoas digam 'não é preciso que o governo venha com uma demanda adicional', afirmou. Ele reiterou, contudo, que não está havendo relaxamento da meta fiscal nem aumento exagerado dos gastos.

O Copom destacou também que o crescimento do crédito gerado por novas modalidades de financiamento à pessoa física --em referência ao crédito com desconto em folha de pagamento-- é um avanço importante que "deverá na verdade aumentar a efetividade da política monetária no médio prazo".

O Copom volta a se reunir para deliberar sobre a Selic nos dias 15 e 16 de março.

Tags:
Edições digital e impressa