Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles afirmou que o programa de swap cambial do BC pode ultrapassar os US$ 50 bilhões já anunciados. Segundo a autoridade monetaria brasielira a grande questão a ser observada no curto prazo é "exatamente a restrição de crédito", não só nos Estados Unidos e na Europa, mas a restrição de crédito internacional e a consequência disto para o resto do mundo e o funcionamento dos mercados, que em alguns países estão desfuncionais.
Para que o governo restabeleça os níveis de crédito anteriores à crise, segundo Meirelles, "é um pouco prematuro fazer essa avaliação porque, no caso dos Estados Unidos, o programa ainda não foi implantado".
– Dos US$ 850 bilhões definidos pelo Congresso norte-americano como disponíveis para aplicação, apenas R$ 250 bilhões foram definidos como sendo direcionados para recomposição de capital das instituições financeiras. O restante evidentemente será definido em conjunto, suponho, pela administração que termina o mandato e pela administração que vai se iniciar – afirmou, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters.
Quanto ao mercado de câmbio brasileiro, Meirelles afirmou que os índices trabalham sob influências de fatores diversos. Muitos deles são componentes internacionais, inclusive a questão da restrição de liquidez internacional.
– Mas existem outros fatores. Por exemplo, a desalavancagem internacional: Hedge funds que sofrem saques e vendem ativos mais líquidos em diversos países. Existe o fenômento de empresas multinacionais que podem fazer remessas de caixa para suas matrizes; existe a questão da aversão ao risco internacional e, portanto, de uma valorização do dólar contra todas as moedas. São fenômenos diversos que não podem ser simplicados num processo só. O Banco Central está tomando todas as medidas necessárias e está preparado para continuar tomando – lembrou.
Os US$ 50 bilhões liberados pelo BC ao mercado, até agora, não significam um teto para os contratos de swap cambial disponibilizados pelo BC.
– Isso foi uma decisão da diretoria de que este montante estava disponsível, nada impede que isto seja mudado, para mais ou para menos. É importante considerar, para as posições de swaps cambiais que sintetizam uma venda futura no mercado de câmbio, o BC tem o hedge natural das reservas. Então nós temos uma grande latitude para tomar posições. Na medida em que o Brasil tem esse montante de reservas, tem uma posição bastante confortável de atuar nos mercados futuros – afirmou.