Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

BB descarta compra de bancos além dos três já em negociação

Quarta, 22 de Outubro de 2008 às 17:28, por: CdB

O Banco do Brasil (BB) não visa, no momento, à compra de nenhum banco, além dos que estão em negociação: Banco do Estado do Piauí (em processo de incorporação), Nossa Caixa, de São Paulo, e Banco Regional de Brasília (BRB), com negociações em curso.

A garantia foi dada nesta quarta-feira pelo vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, ao explicar os efeitos da Medida Provisória 443, que permite ao BB e à Caixa Econômica Federal participar da compra direta ou fusões e incorporações de bancos, em igualdade de condições com bancos comerciais.

A edição da MP 443 gerou especulações de que os bancos públicos estariam prestes a adquirir instituições bancárias, como forma de "arrumar" o Sistema Financeiro Nacional (SFN) para enfrentar melhor a crise financeira mundial. Aldo Mendes disse, entretanto, que "essa é uma leitura  imediatista da medida provisória".

Segundo Mendes, a MP se insere mais numa visão de potencialidade. Ele disse que "a medida apenas se antecipa a um movimento que pode vir a acontecer", como ocorreu nos Estados Unidos e na Europa, com incorporações e compras de bancos e seguradoras.

Ele afirmou que a legislação vigente não permite que BB e Caixa participem de eventual processo de absorção de bancos comerciais. "Estaríamos, pois, alijados de um processo que poderia ser muito bom para o banco, se fusões viessem a ocorrer".

Cauteloso, falando sempre no condicional, Aldo Mendes ressaltou que, "em momentos de liquidez concentrada, quem tem dinheiro dá as cartas do jogo". Ele lembrou que o BB pode dispor de pelo menos R$ 5 bilhões da liberação do compulsório bancário, e "seria ruim ficar de fora do processo, por uma questão legal".

O vice-presidente de Finanças do BB disse que, diferentemente das crises anteriores, nascidas em países emergentes, o problema agora vem do centro do sistema financeiro. O fato de não estarmos no "olho do furacão nos dá a vantagem de poder tomar algumas medidas de precaução, e nos anteciparmos aos acontecimentos", afirmou.

Mendes disse que esse foi o caso em que o Banco Central atuou para liberar parte do compulsório bancário (recolhimento que os bancos são obrigados a fazer de parte dos depósitos para que o governo tenha melhor controle sobre o dinheiro em circulação). Citou também a agilidade com que o BC atuou na realização de leilões de dólares para atender as exportações, além da permissão do Conselho Monetário Nacional (CMN) para operações de redesconto bancário.

- Foram todas medidas que se anteciparam de alguma forma às necessidades do mercado, e acho que o governo fez muito bem em soltar essa medida [MP 433}, porque, em caso de eventual movimentação no sistema bancário, poderemos disputar em igualdade de condições com os demais bancos. Não queremos ficar de fora de eventual onda de compra, se vier a acontecer - acrescentou.

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