Por Mário Augusto Jakobskind - Não é de hoje que a Revolução Bolivariana da Venezuela vem sendo assediada por grupos externos e internos, que tentam de todas as formas colocar em prática um modelo insurrecional de terror e medo.
Colunista denuncia risco de golpe por forças conservadoras na Venezuela
Não é de hoje que a Revolução Bolivariana da Venezuela vem sendo assediada por grupos externos e internos, que tentam de todas as formas colocar em prática um modelo insurrecional de terror e medo.
As forças contrárias ao processo de transformações que ocorre na Venezuela desde 1999 esperavam que com a morte de Hugo Chávez, que neste dia 5 de março completa dois anos, a oposição retornasse ao poder exercido desde 1958 ao estilo em que os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres sempre mais pobres.
Num primeiro momento tentaram derrotar o candidato Nicolás Maduro, mas não conseguiram, embora a vitória do indicado por Chávez como seu substituto obtivesse uma vitória por pouca margem.
Os oposicionistas inconformados tentaram de todas as formas derrubar Maduro e mais uma vez não conseguiram. O governo venezuelano em várias oportunidades denunciou a ingerência norte-americana, que se dá de forma ostensiva, inclusive e através do financiamento de grupos vinculados aos pregadores da renúncia imediata de Maduro.
No ano passado ocorreram confrontos que resultaram em 43 mortes. Na economia a Venezuela sofria vários transtornos, inclusive com desabastecimento.
As filas nos supermercados cresceram. A mídia nacional e internacional aumentou a divulgação de informações dando conta que o país já está no abismo e sem saída.
O esquema dos Diários das Américas produz noticiário divulgado diariamente por jornalões editados em quase todas as capitais latino-americanas. As matérias de alguma forma indicam terem saído de uma mesma central de informação. .
Recentemente foram encontrados mil toneladas de alimentos em um galpão de propriedade de uma empresa cujo proprietário é vinculado ao partido de direita Vontade Popular. Mas essa informação foi praticamente omitida.
Em vários países, inclusive no Brasil, setores conservadores estimulados pela mídia hegemônica manipuladora da informação procuram de todas as formas pressionar seus governos no sentido de condenarem o Executivo venezuelano.
Os jornalões brasileiros dedicam páginas diárias com o objetivo visível de não apenas apresentar a Venezuela como um “inferno”, como também de pressionar o governo Dilma Rousseff a se posicionar contra Maduro e consequentemente a favor do golpe. Alguns congressistas atenderam ao apelo e se posicionaram com base nas informações divulgadas pela mídia hegemônica.
Nos Estados Unidos até Hollywood é acionado na propaganda antibolivariana produzindo um seriado para televisão apresentando Caracas como abrigo de terroristas. Até o Presidente Barack Obama aparece na publicidade acompanhando o seriado de grande audiência.
Os mesmos setores que em passado recente, como em abril de 2002 contra Hugo Chávez, estimulavam um golpe de estado, voltavam a acionar as suas baterias, chegando a acusar venezuelanos vinculados à revolução bolivariana de ligações com o narcotráfico.
O governo de Nicolás Maduro decidiu abortar uma nova tentativa de golpe prendendo o Prefeito de Caracas, Antonio Ledezma acusando-o de responsabilidade direta no andamento de uma nova tentativa de golpe com o apoio do Departamento de Estado. Ledezma tem antecedentes golpistas, tanto assim que apoiou integralmente a tentativa frustrada de golpe em abril de 2002.
Como sempre acontece em golpes e tentativas de deposição de Presidentes legítimos, o governo estadunidense nega as acusações nesse sentido. , Mas quem tiver dúvidas a esse respeito basta consultar a ocorrência de vários golpes de estado, inclusive os mais recentes, de caráter legislativo ou judicial, em Honduras e no Paraguai.
Antes da prisão de Ledezma - os oposicionistas acusaram as forças do governo de agirem com violência, o que foi negado com a apresentação de um vídeo se contrapondo ao apresentado pelos defensores da saída de Maduro e a instalação de um governo de transição - militares da Força Aérea foram detidos acusados de tramar um golpe e até mesmo o bombardeio do Palácio Miraflores, a sede do governo,
Já na Argentina, apesar da mídia hegemônica, sobretudo o jornal Clarin, o juiz argentino Daniel Rafecas sentenciou que não há provas na denúncia apresentada pelo juiz Alberto Nisman contra a Presidenta Cristina Kirchner sobre suposto acordo para encobrir a participação iraniana no ato terrorista contra a sede um uma entidade judaica ocorrida em 1994 e que resultou em 85 mortes.
Apesar disso, não é preciso de nenhuma bola de cristal para prever que a campanha contra Kirchner continuará até a realização do pleito que elegerá o próximo ocupante da Casa Rosada.
E, para finalizar, mais um Parlamento europeu, desta vez o da Itália, aprovou, por 300 votos contra 40 e 59 abstenções, o reconhecimento da Palestina como Estado. Não adiantaram as pressões extremistas de Benyamin Netanyahu.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , será lançado dia 17, no Rio de Janeiro.Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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