A vitória contra o Flamengo neste domingo pode acabar como uma espécie de prêmio de consolação para o Botafogo. Apesar de ter um time bem fracote, ele foi prejudicado na disputa com seu concorrente mais direto pela segunda vaga de seu grupo, o Americano, sucessivamente beneficiado pelos juízes.
Mesmo que ainda não esteja inteiramente fora do páreo, é difícil que o Botafogo classifique. Vai ser preciso que vença o Madureira domingo, que na véspera o Americano tenha perdido para o Fluminense, já classificado, e que, nos dois jogos, a diferença de saldo de gols entre os dois seja revertida. Hoje o Americano tem saldo de três gols e o Botafogo, de apenas um. É difícil que tudo isso aconteça.
No jogo deste domingo - um mau jogo, por sinal - qualquer um poderia ter vencido. Mas o empate, que, aliás, eliminaria ambos, teria sido mais justo.
O Botafogo abusou do antijogo e marcou Felipe usando o recurso de faltas sucessivas. Ao final, o jogador rubro-negro, que já tinha cartão amarelo por reclamação, acabou expulso com razão, depois de uma entrada violenta sobre Valdo. Logo sobre Valdo, um dos poucos adversários que tratou de jogar futebol sem recorrer às faltas a todo instante.
Aqui, cabem duas observações. A primeira, sobre a arbitragem. Seu nível está baixíssimo. O juizinho assistiu, sem tomar providência, à sucessão de faltas do time do Botafogo. A maior parte sem violência, mas interrompendo a partida a todo instante. Quando Túlio, que começou o jogo dando o primeiro combate a Felipe, recebeu cartão amarelo, deixou a tarefa com Fernando, conforme ele mesmo admitiu em entrevista no intervalo do jogo. Ou alguém toma providência contra esse estilo de jogo, que Levir Culpi adora, ou a mediocridade acabará sempre premiada.
A segunda observação é que um jogador da experiência de Felipe tem que parar de levar cartões amarelos por reclamação. Mesmo que tenha razões para se enervar, já que sofre faltas todo o tempo, esse comportamento só prejudica seu time. Isso, sem falar no lance de sua expulsão, quando fez uma falta desclassificante em Valdo.
Ninguém põe em dúvida as qualidades técnicas de Felipe. Sua convocação para a seleção brasileira tem sido pedida, até com razão. Mas há quem questione seu equilíbrio emocional e sua regularidade. Expulsões como a de ontem só dão razão aos que fazem tais questionamentos.
Os problemas do Flamengo, porém, vão muito além do antijogo que neutraliza seu principal jogador. Meio time caiu brutalmente de produção nesta Taça Rio. Para que se tenha uma idéia de como estão as coisas, contra o Botafogo o limitado Da Silva foi seu melhor jogador.
Os dois laterais estão jogando muito mal. Roger, então, apesar dos gols importantes que andou fazendo, tem uma deficiência fatal para um lateral: não sabe cruzar. Rafael, cuja candidatura à seleção foi prematuramente lançada por Abel Braga, está se especializando em abaixar a cabeça e conduzir a bola atabalhoadamente, às vezes até correndo mais do que ela. E, quase sempre, descambando para o meio, embolando o jogo e trombando com os defensores.
Ibson foi outro que caiu muito, começando a dar razões aos que defendem a efetivação de Jônatas.
Jean tem que aprender o óbvio no futebol: chutar. Aliás, com a prática dá para melhorar muito este fundamento. Talvez Abel devesse deixá-lo mais um hora depois dos treinos treinando chutes, enquanto os dois laterais treinariam cruzamentos.
Diogo tem que jogar na área. Nunca de meio-campista, tendo como principal função roubar a bola dos atacantes adversários.
Por fim, a torcida poderia ser poupada de ter que assistir à entrada de Flávio, sempre no tempo errado da bola, fora das jogadas e parecendo mais um astronauta tentando se equilibrar nas travas das chuteiras.
Enfim, sem melhorar o Flamengo pode até ganhar as finais e ser campeão carioca. Mas, num campeonato cujo nível baixou muito nas últimas rodadas, tornará as coisas mais difíceis do que