Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Batendo de Trivela: Crise à vista no Flu

Segunda, 08 de Março de 2004 às 08:12, por: CdB

Crise à vista no Flu

Cid Benjamin

O chocolate que o Vasco deu no Fluminense dá bem a medida do que é um dos grandes encantos do futebol. Diferentemente do basquete ou do vôlei, quando quase sempre vence o melhor, porque o resultado é a soma de dezenas de pontos, o futebol nos traz freqüentes surpresas ao longo da partida. O placar é composto por um número menor de gols do que os pontos no basquete ou no vôlei e os gols que não representam a soma de pequenas vantagens ao longo da partida. Assim, um time pode dominar o jogo e acabar derrotado.

Não chegou a ser isto o que ocorreu no jogo deste domingo, mas o Fluminense poderia ter liquidado a parada no primeiro tempo. Perdeu várias oportunidades de marcar, seja por incompetência de seus atacantes, seja pela grande atuação do excelente goleiro Fábio, do Vasco. Depois, sofreu gols, se desorganizou e acabou caindo de quatro, ajudado pela bela atuação do veterano Valdir. Quem vê só o placar pensa que o Vasco dominou do início ao fim, o que não acorreu.

Com o resultado, a crise, que andava rondando as Laranjeiras, pode se instalar de vez. Não basta contratar bons jogadores para formar um time. É preciso que eles entrem em forma e se entrosem - e isso exige trabalho. Não sei se é verdade que Edmundo - fora do time por problemas musculares - tem jogado peladas com seus amigos do Panela, como andou sendo publicado. Mas sei que ele, machucado, estava bom para desfilar, todo fagueiro, em escolas de samba.
Enfim, os problemas são muitos e, como se vê, não se resolveram com a fritura do técnico Valdir Espinosa.

Algo me diz que, ou Ricardo Gomes dá logo um padrão de jogo à equipe, ou o projeto Unimed arrisca a fazer água.

Toque de Bola

* No Flamengo, Abel tem razão quando diz que a ausência de Felipe por si só não explica a queda de produção. Meio time está rendendo muito abaixo do que rendeu na Taça Guanabara: os dois laterais, Rafael (apressadamente apontado como de nível de seleção pelo técnico) e Roger, o promissor Ibson, o regular Jean (atacante que não sabe finalizar jamais será craque) e Diogo, que está tendo o desempenho prejudicado por ter que recuar muito para ajudar a marcação.

* Abel também não tem sido feliz nas mexidas. Jônatas está merecendo uma vaga no time, talvez no lugar de Ibson. Zinho não deveria ter saído contra o Olaria. E melhor que pôr em campo o grandalhão e desajeitado Flávio, teria sido manter
Diogo mais dentro da área e tratar de armar jogadas pelas pontas, deixando quem soubesse jogar por ali bem aberto para reforçar o apoio dos laterais. Contra times retrancados de pouco adianta botar mais centroavantes trombadores. Se eles já costumam ter dificuldades quando a bola chega, imagine-se quando o que se tem é o jogo do abafa...  

* Quanto ao jovem Vinicius Pacheco, que jogou meio tempo contra o Olaria, mostrou qualidades, mas precisa cair menos. Basta um adversário encostar e ele desaba.

* Aliás, faria bem, não só a Vinicius, mas a muita boa gente por aí, ver tapes de Pelé. Quantas vezes, mesmo sofrendo acossado, Pelé seguiu de pé e a jogada acabou em gol. Hoje é comum o atacante se conformar em cavar a falta, em vez de dar seguimento a uma jogada perigosa.

* Por fim, Abel precisa fazer Da Silva nos deixar esquecer Fernando e parar de fazer faltas na entrada da área. Foi de uma entrada desnecessária dele na meia-lua (que pode até não ter sido falta, mas que foi claramente imprudente) que nasceu o gol do Olaria.          
 
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