Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Batalhão de choque evacua área ocupada por famílias sem-teto na Bahia

Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 23:59, por: CdB

A madrugada foi tensa para os sem-teto do Acampamento Dois de Julho, situado no Espaço Casa Velha, no km-12 da Avenida Baleeiro, na Estrada Velha do Aeroporto (EVA).
 
O Batalhão de Choque da Polícia Militar evacuou o local. Na manhã da última quarta-feira, apenas cerca de 50 pessoas continuavam em frente às áreas ocupadas na terça-feira. A Polícia Militar e a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom) impediam o acesso às propriedades desde terça-feira à noite.

Por volta das 5h30, a Sucom demoliu uma antiga construção de tijolos presente em um dos terrenos e as duas barracas de lona já montadas.

Na correria, ocorreram agressões verbais e físicas, segundo declararam os ocupantes, que reclamaram da falta de cuidado dos policiais e fiscais com as cerca de 40 crianças e bebês que estavam dentro da construção demolida.
 
Além disso, teriam sumido alguns pertences, inclusive uma bolsa com o dinheiro de doações arrecadadas. Os ocupantes não souberam informar o valor exato.

A entrada no acampamento passou a ser proibida pela PM desde terça-feira à noite. O bebê Jeff Fernando ficou horas sozinho na construção, segundo a mãe, Julianice Pires Mendes. Ela mora com a irmã, em Vila Verde, e tinha ido buscar roupas. Quando voltou, não pôde entrar na área para socorrer o filho.
 
- Os policiais não me deixaram entrar e ainda me chamaram de mãe irresponsável. Enquanto isso, meu filho estava rouco de tanto chorar lá dentro. Ele só tem sete meses - conta Julianice.

Outro policial teria agredido verbalmente uma ocupante de prenome Ada, que acabou indo parar no hospital. A PM já identificou o policial responsável pela agressão e deve apurar o caso, segundo o tenente coronel Fernando Baqueiro.
 
Os pertences dos sem-teto teriam sido devidamente devolvidos. Sobre o sumiço do dinheiro, Baqueiro recomendou às lideranças que registrassem ocorrência junto à delegacia mais próxima.

A ocupação dos sem-teto teve início na última segunda-feira por volta de 9h da manhã, quando cerca de 500 pessoas chegaram no local.

Conforme as lideranças do movimento, o motivo foi a falta de resposta do secretário municipal de habitação, Fernando Medrado, a um acordo fechado em 16 de julho com representantes de 716 famílias.

Conforme o movimento, o acordo previa uma resposta na última semana sobre a possibilidade de loteamento da área com financiamento junto à Caixa Econômica Federal (CEF), conforme Raidalva Crispina de Jesus, uma das líderes.

A secretaria faria estudos sobre a topografia das propriedades e cadastraria os solicitantes. Fernando Medrado, contudo, afirma que representantes do movimento se comprometeram a entregar o estudo topográfico antes do prazo de 15 dias.

- Até hoje, não me entregaram nada - disse Medrado.
 
A secretaria cadastrou 580 famílias.

Metade do grupo não concordou com a ação, informa o presidente da Comissão de Moradores de Mussurunga, Jhones dos Santos. O objetivo inicial do movimento era agir pacificamente.
 
- Não iríamos montar barracas nem demarcar lotes antes de obter uma resposta da Secretaria de Habitação - informou Jhones. Ele e outros representantes da 'ala pacífica' do grupo lamentavam a decisão dos demais companheiros.

As lideranças do movimento garantem que as famílias não têm local próprio para morar. Alguns pagam aluguel, outros moram com parentes e outros, ainda, não têm teto.

Os ocupantes vêm das localidades de Mussurunga, Vila Verde, Coração de Jesus, Bairro da Paz, Parque S.Cristóvão, Quinta de Ipitanga, Colina de Mussuranga, Tocaia e Adutora.

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