A decisão do governo de proibir a atividade dos bingos e caça-níqueis foi tomada em função das repercussões de reportagens da imprensa sobre tráfico de interesse entre integrante do Executivo e empresários do setor.
O reconhecimento foi feito nesta sexta-feira pelo ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter anunciado em discurso que editaria ainda nesta noite uma medida provisória proibindo o funcionamento dos bingos.
``A circunstância geral, este trabalho investigativo que está sendo feito pela imprensa, o estrépito e o alarido que se formaram em relação a isso e até as repercussões do mercado financeiro... claro que isso tudo ajudou na decisão do presidente, que não é isolada'', disse Bastos a jornalistas.
Participaram da decisão, além dele e do presidente, os ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Dulci (secretaria-geral) e Antonio Palocci (Fazenda).
Mas ele insistiu que o governo já estava fazendo um grande levantamento sobre os bingos, antes da decisão desta sexta-feira. ``O governo não mudou de idéia (em relação a projeto do Congresso que pretende legalizar bingos)'', frisou.
Bastos adiantou que a MP invalida liminares que permitem até agora o funcionamento de bingos em Estados com leis próprias que já proibiam esta prática.
A MP será enviada ao Congresso, mas entra em vigor imediatamente. Qualquer contestação só poderá ser feita no Supremo Tribunal Federal, segundo Bastos.
O ministro convocou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, que fará uma circular para todas as superintendências do órgão explicando a medida e organizando o fechamento dos estabelecimentos.
Reportagens da revista Época mostram um ex-assessor do ministro Dirceu pedindo dinheiro a um bicheiro, que também atua no ramo de bingos, para si próprio e para a campanha de candidatos a governos estaduais em 2002. Nova reportagem desta sexta-feira mostrou que Waldomiro teria mantido encontros com o bicheiro no ano passado, já na gestão Lula.