A reeleição, nesta quarta-feira, do deputado paulista José Aníbal para a liderança do PSDB na Câmara provocou um racha no partido e levou 19 deputados a criar uma dissidência, o Movimento Unidade, Democracia e Ética. Os dissidentes, que discordaram de mudanças feitas na noite anterior nas regras do partido, que impediam a reeleição do líder, não participaram da eleição. José Aníbal obteve 33 votos da bancada para continuar no cargo.
No fim da tarde, os dissidentes leram nota no plenário comunicando a formação do movimento e criticando a recondução do líder: "A atitude golpista e antidemocrática da liderança do PSDB na Câmara dos Deputados levou à dissidência um grupo expressivo de deputados".
O texto lembra que a regra impedindo a reeleição do líder vigorava desde 2003 e foi alterada poucas horas antes da eleição. "Além de ferir os princípios da boa convivência e da manutenção da palavra na política, a mudança na véspera das eleições é inaceitável para um tucano que tenha ética e respeito ao estatuto do partido" acrescenta o documento.
Segundo o deputado Arnaldo Madeira (SP), um dos dissidentes, o novo movimento vai atuar de forma coordenada no trabalho parlamentar, "pautando-se sempre pelos princípios programáticos do PSDB, e não seguirão a orientação do atual líder da bancada, por considerar ilegítima a sua eleição".
– O líder teve uma atitude chavista. Foi um golpe – disse Madeira, comparando José Aníbal, que mudou as regras do partido, ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tentou mudar a Constituição do país.
Até a noite anterior, pretendiam disputar a liderança do PSDB os deputados Paulo Renato (SP), Gustavo Fruet (PR) e Zenaldo Coutinho (PA). No entanto, como a maioria da bancada decidiu aceitar a mudança nas regras, os três desistiram da disputa.