A orientação do Palácio do Planalto aos parlamentares que se reuniram, nesta quarta-feira, com o presidente do Senado, José Sarney, sobre a crise que se abateu sobre a Casa nos últimos meses, é de conversar com partidos aliados para evitar um racha ainda maior que possa tornar insustentável a permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) no comando da Casa.
Ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro disse que “não há uma solução mágica” para resolver de imediato as divergências na base sobre a permanência de Sarney à frente da presidência do Senado. Ele acrescentou que as conversas com as líderes da base governistas continuarão até que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue da viagem oficial que faz à Líbia. Múcio disse que telefonou à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para discutir o assunto.
Na véspera, DEM, PSDB, PDT e PSOL decidiram apoiar o afastamento temporário de Sarney do comando do Senado até o fim das investigações sobre as irregularidades na administração da instituição. A bancada do PT se reúne hoje para definir se apoia ou não o afastamento temporário do parlamentar.
Encontro
Líder do bloco de apoio ao governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), foram um dos primeiros parlamentares da base governista a chegar à residência de Sarney. Segundo Mercadante, o objetivo do encontro era o colocar as preocupações da bancada e discutir propostas para a crise no Senado.
Antes da chegada dos parlamentares, já estavam na casa de Sarney o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Numa conversa rápida com jornalistas, Roseana afirmou que qualquer definição a ser tomada por Sarney contará com o apoio da família. Sobre a decisão do DEM de defender o afastamento do senador da presidência da Casa, a governadora afirmou que “isso faz parte da política”.
– É melhor ter um culpado só, do que 81 (senadores) – completou.