Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Barusco diz que não pode afirmar se Vaccari repassou propina ao PT

Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras, disse à CPI da Petrobras que estima que o PT deve ter recebido US$ 150 a US$ 200 mi em propinas.

Terça, 10 de Março de 2015 às 08:57, por: CdB
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O ex-gerente de Engenharia da Petrobras estima que o PT deve ter recebido US$ 150 a US$ 200 milhões em propinas
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras, afirmou, nesta terça-feira, que estima que o PT deve ter recebido US$ 150 a US$ 200 milhões em propinas. Ele deixou claro, porém, que isso é uma estimativa, baseada nos recursos repassados ao tesoureiro do partido, João Vaccari. O ex-gerente é o primeiro a prestar depoimento à comissão, depois de um acordo feito na semana passada entre deputados governistas e da oposição com o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). - Eu disse em depoimento que a quantia era essa porque eu acho que o Vaccari recebeu o dobro do que eu recebi - disse. Barusco disse, porém, não ter condições de afirmar que o dinheiro foi efetivamente entregue ao partido por Vaccari. O ex-gerente de Engenharia da Petrobras repetiu informações que constam dos depoimentos que já prestou no processo de delação premiada junto à Justiça Federal. Ele ratificou à CPI que a propina paga pelas empresas contratadas pela Petrobras variava entre 1% e 2% dos valores dos contratos, e que esses recursos eram divididos da seguinte maneira: metade para o PT, por meio de João Vaccari, e metade para a “Casa”, como ele chama os diretores da Petrobras envolvidos no esquema. Ele menciona, entre estes, Renato Duque (ex-diretor da Petrobras) e, eventualmente, Jorge Luiz Zelada (ex-diretor da Área Internacional da Petrobras), e Roberto Gonçalves. A advogada de Barusco, Beatriz Catta Preta, tinha solicitado que a sessão fosse secreta. Mas o próprio Barusco concordou em prestar depoimento em sessão aberta, desde que não fossem feitas perguntas sobre sua vida pessoal. Delação premiada Em três depoimentos prestados à Polícia Federal do Paraná, em novembro do ano passado, Barusco admitiu ter recebido propinas de empresas contratadas pela Petrobras de 1997 a 2013. Ele detalhou, dentro do processo de delação premiada que corre na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), como teria funcionado o esquema de desvio de recursos da estatal a partir de 2003, principal foco da comissão. - É um caminho que não tem volta. Você começa a receber no exterior um recurso ilegal, é uma espada na sua cabeça, não tem saída, não tem saída -  disse o delator. Barusco afirmou ter recebido cerca de US$ 97 milhões de dólares em propina nesse período e nomeou outros supostos beneficiários do esquema, bem como as empresas contratadas pela Petrobras responsáveis pelos pagamentos. Ele disse ainda que parte da propina era destinada ao PT e tinha como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Nos depoimentos, ele admitiu ter recebido propinas durante o período em que ocupou os cargos de gerente de Tecnologia na Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras e quando era subordinado ao então Diretor de Serviços, Renato Duque. Ele saiu da Petrobras em 2011 para ocupar cargo executivo na empresa Setebrasil, constituída para construir sondas de exploração do petróleo do pré-sal em contratos com a Petrobras. Ele disse ter recebido também propinas quando era diretor da empresa.
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