Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Barreira provoca mal-estar entre brasileiros e paraguaios na fronteira

A instalação de blocos de concreto em um trecho da fronteira que corta as cidades de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e Juan Pedro Caballero, no Paraguai, gerou mal-estar entre os dois lados, com troca de acusações que envolvem desrespeito à fronteira e uma suposta concorrência desleal.

Quarta, 11 de Agosto de 2010 às 06:49, por: CdB

A instalação de blocos de concreto em um trecho da fronteira que corta as cidades de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e Juan Pedro Caballero, no Paraguai, gerou mal-estar entre os dois lados, com troca de acusações que envolvem desrespeito à fronteira e uma suposta concorrência desleal. As autoridades paraguaias investigam denúncias de que comerciantes brasileiros teriam levantado “barreiras” em diversos pontos da fronteira, durante a madrugada desta terça-feira. O Itamaraty confirma ter sido comunicado do episódio pelo governo paraguaio e que enviou um representante da comissão de fronteiras para avaliar de perto a situação. De acordo com jornais locais, os brasileiros estariam “descontentes” com o número crescente de moradores de Ponta Porã que cruzam a fronteira com Juan Pedro Caballero em busca de produtos com preços mais em conta. Os paraguaios, por sua vez, acusam o lado brasileiro de impedir o trânsito de pessoas entre os dois países, “interferindo” de forma ilegal na linha de fronteira.  Até o momento, nem o governo paraguaio nem o brasileiro conseguiram identificar os responsáveis pela instalação dos blocos de concreto.  – Nenhuma das duas prefeituras sabe quem pode ter levantado essa barreira, por isso estamos um pouco confusos –, disse o cônsul paraguaio em Ponta Porã, Luis Sosa. Sosa, que participou das reuniões realizadas pela delegação da chancelaria paraguaia, garantiu que “houve um acordo para destruir todas as barreiras”.  – Não há ruptura das relações, não há ressentimentos e está tudo bem encaminhado –, acrescentou.  O presidente da Associação Comercial de Ponta Porã, Evaldo Pavão, disse que a situação no limite entre as duas cidades está “tensa”, mas negou que a decisão de bloquear parte da fronteira tenha partido da entidade, como chegou a afirmar a imprensa paraguaia.  – Existe, sim, uma insatisfação dos comerciantes brasileiros com o desrespeito à fronteira, que prejudica o comércio aqui em Ponta Porã –, disse. O motivo, segundo ele, é a valorização do real, que deixa os produtos brasileiros mais caros frente aos concorrentes paraguaios. Além disso, diz ele, os paraguaios “pagam bem menos impostos”. – Você imagina atravessar a rua e encontrar uma carga tributária de 10%, enquanto aqui pagamos 40% –, diz. – É uma concorrência desleal –, completa. Segundo a imprensa paraguaia, os comerciantes brasileiros estariam especialmente preocupados com a construção de um grande centro comercial do lado paraguaio, cujo investimento chega a US$ 3,5 milhões.  O episódio das barreiras fez reacender o debate sobre a fiscalização da fronteira entre Brasil e Paraguai, que cobre uma extensão de aproximadamente 1.300 quilômetros. Em muitos trechos, como na região de Ponta Porã com Juan Pedro Caballero, o limite entre os dois países se torna confuso, com ruas que atravessam os dois países sem demarcação clara. A construção de barreiras por parte do Brasil na fronteira com o Paraguai não é uma história nova. Em abril de 2007, a Receita Federal em Foz do Iguaçu, na fronteira com Ciudad del Este, a cerca de 360 quilômetros de Assunção, anunciou a construção de um muro para frear o contrabando e a imigração ilegal. O projeto estabelecia que a barreira de separação passaria por debaixo da Ponte da Amizade, que liga os dois países sobre o Rio Paraná. O anúncio causou uma onda de indignação no Paraguai. O projeto, batizado pela imprensa paraguaia de “muro da vergonha”, acabou não se concretizando.

Tags:
Edições digital e impressa