Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Barreira de Israel viola lei humanitária, diz Cruz Vermelha

Quarta, 18 de Fevereiro de 2004 às 06:29, por: CdB

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) disse nesta quarta-feira que a polêmica barreira entre Israel e a Cisjordânia viola a lei humanitária internacional porque entra em território palestino.

A organização disse que a barreira -- formada por cercas de metal e muros de concreto -- impede o acesso de palestinos a serviços básicos como água, saúde e educação.

``A opinião da Cruz Vermelha é de que a Barreira da Cisjordânia, quando sua rota se desvia da Linha Verde e entra em território ocupado, é contrária à IHL (lei humanitária internacional)'', disse um comunicado da organização.

O comunicado também pede para o governo de Israel -- que afirma que o objetivo da medida é evitar a entrada de terroristas suicidas responsáveis por centenas de mortes de israelenses -- ``não planejar, construir ou manter esta barreira dentro de território ocupado (palestino)''.

Em reação imediata, o embaixador de Israel em Genebra, Yaakov Levym, declarou que o comunicado da Cruz Vermelha ''poderia comprometer a neutralidade'' essencial ao organismo, o qual monitora pactos sobre temas humanitários em situações de guerra e pós-guerra.

``Há um perigo de que a posição apresentada pela ICRC seja transformada em ferramenta política contra as medidas de autodefesa de Israel'', observou Levy.

Israel enfrenta na próxima semana audiências sobre a barreira na Corte Internacional de Justiça, em Haia, após um pedido feito pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para que a corte debatesse a legalidade da medida.

A Cruz Vermelha disse que os problemas criados pela barreira ``demonstram claramente que ela contraria a obrigação de Israel...de garantir tratamento humano e bem-estar à população vivendo sob sua ocupação''.

A organização afirmou que reconhece o direito de Israel de tomar medidas para defender a segurança de sua população.

Para Balthasar Staehelin, autoridade da Cruz Vermelha, se barreira seguisse a Linha Verde -- fronteira anterior à Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel conquistou a Cisjordânia -- ``muitos dos problemas com os quais estamos preocupados seriam resolvidos''.

Staehelin disse que o comunicado foi emitido após estudo feito durante 18 meses por representantes na região a respeito dos efeitos da barreira sobre os palestinos. A barreira entra na Cisjordânia para circundar assentamentos judaicos.

O comunicado também foi divulgado após um mês de debates com autoridades israelenses sobre as preocupações da organização. ``Esperamos que este comunicado dê maior ímpeto ao diálogo, que queremos continuar.''

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