Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

Barras de combustível de reator nuclear são expostas em usina japonesa

As barras de combustível do reator nuclear 2 do complexo japonês Fukushima Daiichi, atingido pelo terremoto de sexta-feira que atingiu a magnitude de 8.9 graus na Escala Richter, foram expostas no início da noite desta segunda-feira (horário local). A informação é da operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., citada pela agência de notícias Kyodo.

Segunda, 14 de Março de 2011 às 11:40, por: CdB
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As barras de combustível do reator nuclear 2 do complexo japonês Fukushima Daiichi, atingido pelo terremoto de sexta-feira que atingiu a magnitude de 8.9 graus na Escala Richter, foram expostas no início da noite desta segunda-feira (horário local). A informação é da operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., citada pela agência de notícias Kyodo. As barras, formato no qual o urânio é moldado dentro do reator, foram expostas parcialmente, mas os especialistas conseguiram estabilizar a situação, utilizando inclusive água do mar para aumentar o nível de água do sistema de resfriamento. A Tokyo Electric Power Co. diz que a exposição ocorreu porque o canal de ventilação do vapor produzido pelo aquecimento do reator foi fechada acidentalmente nesta segunda-feira, causando uma nova e repentina queda do nível de água de resfriamento. Três dos seis reatores de Fukushima estão aquecendo em níveis perigosos e as autoridades correm para evitar o derretimento – e a fissão nuclear – que aumentaria o risco de danos ao reator e de um possível vazamento de materiais altamente radioativos, segundo especialistas. O maior temor é de um grande vazamento de radiação do complexo em Fukushima, a 240 quilômetros ao norte de Tóquio. O governo liberou um alerta para as pessoas que vivem num raio de 20 quilômetros em torno da usina a não saírem de casa. Segundo a Kyodo, 80 mil pessoas foram retiradas da área, somando-se a outros 450 mil desabrigados do terremoto e do tsunami. Os engenheiros trabalhavam desesperadamente para resfriar as barras de combustível nuclear na usina neste fim de semana, mas não conseguiram evitar duas explosões no reator 3, por causa do acúmulo de hidrogênio. A Tokyo Electric Power Co. disse que 11 pessoas ficaram feridas na explosão. A explosão foi similar à ocorrida no sábado no reator número 1 dessa unidade e, igual a essa ocasião, não causou danos em seu recipiente primário nem vazamento maciço de radiação, segundo o governo. O porta-voz do governo, Yukio Edano, afirmou mais cedo que os responsáveis pela unidade têm "tudo preparado" para injetar água do mar no reator, a fim de tentar controlar sua temperatura. Especialistas nucleares disseram, contudo, que é provavelmente a primeira vez em 57 anos da indústria nuclear de que a água do mar tem sido usado desta forma, num sinal de como o Japão pode estar próximo de um acidente grave. – A injeção de água do mar em um núcleo é uma medida extrema. Isso não está de acordo com os manuais – disse Mark Hibbs, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional. Eixo da Terra O terremoto que abalou as usinas nucleares japonesas e destruiu grande parte da capacidade industrial instalada naquele país também moveu costa do Japão em até 4 metros para leste. O tremor, de magnitude 8,9 atingiu o país na última sexta-feira. Segundo especialistas da rede japanesa Geonet - recolhidos de cerca de 1,2 mil estações de monitoramento por satélite - sugerem que houve um deslocamento em grande escala após o terremoto. Roger Musson, da agência geológica britânica (BGS, na sigla em inglês), disse à agência britânica de notícias BBC que o movimento é "compatível com o que acontece quando há um terremoto deste porte". O terremoto também pode ter alterado o equilíbrio do planeta, movendo a terra em relação a seu eixo em cerca de 16 cm. O tremor também aumentou a velocidade da rotação da Terra, diminuindo a duração dos dias em cerca de 1.8 milionésimos de segundo. A agência meteorológica do Japão propos aumentar a magnitude do terremoto para 9.0. Isso faria do tremor o quinto maior da história desde que tremores começaram a ser registrados. Outras agências, no entanto, ainda não atenderam ao chamado. Brian Baptie, também da BGS, explicou que o tremor ocorreu na Zona de Subdução, como é chamada a região onde duas placas tectônicas se unem - no caso do Japão, a Placa do Pacífico, a leste, e outra placa a oeste, que muitos geólogos acreditam ser uma continuação da Placa Norteamericana.
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