Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Barracões armados para atender pacientes de dengue não têm condições para trabalho

Quarta, 26 de Março de 2008 às 08:45, por: CdB

Técnicos de saúde pública criticam as condições das barracas de hidratação inauguradas no Rio de Janeiro, que não têm pia ou água para médicos e enfermeiros lavar as mãos, levando os profissionais a usar álcool gel, que não o procedimento  adequado. O ideal é lavar com água e depois álcool gel, segundo médicos.
 
Os profissionais reclamam também que as barracas não têm telefone ou fax para enviar laudos de doentes para os hospitais. Os médicos são obrigados a usar seus telefones celulares para encaminhar ou receber laudos médicos com os dados dos pacientes.
 
Especialistas reiteram que o  fundamental é hidratar as pessoas em todos os postos de saúde e hospitais. Tem de ter água para todo mundo beber mesmo nas filas de espera. É mais barato distribuir copos de água nas portas dos hospitais do que internar pacientes desidratados.

Dados oficiais do Ministério da Saúde indicam que morreram no ano passado, de dengue, em todo o país, 158 pessoas e nada menos de 61 das vítimas fatais eram crianças. Quatro pessoas a mais do que matou o acidente da Gol, que, por justos motivos, tanto constrangeu e chocou o país, observou um especialista em saúde pública.
 
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz atribuem o alto número de mortes de crianças causadas pela dengue no Rio à falta de orientação específica para essa faixa etária no protocolo distribuído aos médicos da rede pública pelo Ministério da Saúde.
 
A mestre em Saúde da Criança da Escola Nacional de Saúde Pública, Elyne Engstron, explica que os valores de referência de plaquetas e hematócritos, medidos no exame de sangue e indicativos da ocorrência de dengue hemorrágica, são diferentes em crianças e adultos.
 
Os sinais de alarme também podem ser diferentes dos sintomas da dengue em adultos.

– As crianças desidratam muito mais rápido e costumam se queixar de dores de barriga ou na garganta, que já são indícios de que a doença está se agravando, exemplificou Elyne.

– Estamos tendo que treinar as equipes no meio da epidemia, diz a especialista.
 
A infectologista da Fiocruz Patrícia Brasil defende um estudo mais aprofundado das mortes já confirmadas por dengue. No início da epidemia, segundo ela, os médicos estavam subestimando a doença e mandando os pacientes de volta para casa com outros diagnósticos. Agora, a situação inverteu-se.

– Tem criança morrendo de insuficiência hepática causada por excesso de paracetamol (único antitérmico que pode ser utilizado em caso de suspeita de dengue), por meningite ou infecção generalizada e dizem que é dengue, criticou.
 
Uma das áreas que mais preocupam os cientistas é a região em que está localizado o Projac da Rede Globo, em Jacarepaguá. Segundo biologos, o equipamento da televisão é um centro produtor de mosquitos Aedes Aegypti..
 
O Ministério da Saúde promete usar o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) do Rio para monitorar e avaliar diariamente a evolução da epidemia. Esse controle permitirá a implementação das medidas necessárias e identificará as áreas prioritárias para atuação conjunta das esferas de governo.
 
Em 16 de junho de 2007, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmava, em matéria distribuída pela Agência Brasil, que os casos de dengue estavam sob controle no Rio de Janeiro e que não ofereciam em riscos para a população.
 
– A política está dando resultados, mas é preciso haver uma grande mobilização popular permanente, enfatizou Temporão em visita ao Rio de Janeiro em junho, disse Temporão na ocasião.
 

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