A embarcação naufragou no norte da Líbia, divulgou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados
Um barco que trazia cerca de 700 imigrantesnaufragou no norte da Líbia, divulgou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) neste domingo. Apenas 28 pessoas foram resgatadas com vida, segundo a guarda costeira. Acredita-se que o restante dos passageiros morreu no Mar Mediterrâneo.
Pelo menos 24 corpos já foram resgatados. Se confirmadas as mortes, o acidente poderá elevar para mais de 1,5 mil o número de vítimas ao longo da travessia marítima entre África e Europa somente este ano. Na sexta-feira passada, a Acnur afirmou que o número de imigrantes mortos ou desaparecidos já chegava a 950.
- Parece que estamos diante do maior massacre já visto no Mediterrâneo - declarou Carlotta Sami, porta-voz da Acnur.
O barco estava a 126 quilômetros da costa líbia e a 177 quilômetros da ilha de Lampedusa, sul da Itália, segundo a Marinha de Malta, que recebeu um alerta de uma embarcação com problemas por volta de meia-noite (hora local). A guarda costeira instruiu um navio mercante para ir até o local.
De acordo com autoridades italianas, o barco pesqueiro de apenas 20 metros estava afundando com os imigrantes a bordo no momento em que o navio se aproximou. Desesperados por resgate, os ocupantes se movimentaram para um lado só, o que teria desestabilizado e virado a embarcação, afirmou a guarda costeira.
Destroços do barco foram encontrados pelas equipes de busca.
- Há grandes manchas de óleo, pedaços de madeira e coletes salva-vidas na área - afirmou o general Antonino Iraso, da polícia da fronteira italiana, que também participa dos trabalhos de resgate.
Segundo autoridades da Itália, a operação de busca e resgate neste domingo envolve 17 navios e embarcações da guarda costeira, assim como navios mercantes da área e um barco de patrulha de Malta.
Mais ação da Europa
As novas mortes aumentam a pressão para que a Europa se empenhe mais na crise da imigração do Mediterrâneo. Grupos internacionais de ajuda humanitária e autoridades italianas vêm criticando a operação Triton, missão de patrulha costeira coordenada pela União Europeia considerada insuficiente.
O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse que a Europa está testemunhando "um massacre sistemático" no Mediterrâneo.
- Como podemos permanecer insensíveis quando testemunhamos populações inteiras morrendo, em uma época em que os meios de comunicação nos permitem estar sabendo de tudo? - questionou Renzi em um evento político.
A chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, fez um apelo a líderes europeus para que deem mais apoio a ações de proteção das fronteiras e combate ao tráfico de seres humanos.
- Repetimos diversas 'nunca mais'. Agora é hora de a União Europeia lidar com essas tragédias sem demora - disse.
Cerca de 20 mil imigrantes ilegais chegaram à costa da Itália este ano, segundo a Organização Internacional de Migração (OIM). Apesar de ser um pouco menos do que o registrado no mesmo período do ano passado, o número de mortes já era dez vezes maior antes mesmo da tragédia deste domingo.
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