Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

Barcas Rio-Niterói navegam com funcionários ilegais

Empresa Barcas S/A enfrenta a pior crise desde que assumiu a concessão do serviço aquaviário que liga o Rio a Niterói. Além da falta de manutenção, as barcas navegam com funcionários de cooperativas o que, segundo a lei, é ilegal (Leia mais).

Quarta, 11 de Abril de 2007 às 07:35, por: CdB

Além da falta de manutenção, as barcas da travessia Rio-Niterói, Rio-Paquetá e Praça XV-Ribeira  apresentam outra irregularidade: elas navegam com funcionários de cooperativas, o que, segundo a lei, é um procedimento ilegal. Segundo informações da Barcas S/A, os cooperativados representam 20% do total de funcionários que atuam nas embarcações.

A empresa esclarece ainda que desde a privatização, em 1998, herdou o esquema de contratação por cooperativas e que, desde então, vem admitindo gradualmente estes profissionais. Em 2006, por exemplo, foram contratadas 50 pessoas. A tendência é que todos passem a funcionários da concessionária.

O coordenador fiscal do Trabalho Portuário e Aquaviário da Delegacia Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, Mauro Cavalcanti, explicou que, de acordo com as leis 9537 e 9432 da lei de segurança do tráfego aquáviário (Lesta)e o decreto 2256/97, os tripulantes devem ter, obrigatoriamente,  vínculo empregatício com a empresa, e os funcionários cooperativados são considerados profissionais autônomos.

Cavalcanti informou também que a empresa Barcas S/A recebe autuações há 9 anos por atuar com cooperativados em suas embarcações. A autuação mais recente, segundo ele, ocorreu no último mês de fevereiro e foi encaminhada ao Ministério Público. No entanto, ele ressaltou que a empresa não tomou nenhuma atitude para acabar com a irregularidade.

- Eles não podem trabalhar com cooperativas nas embarcações e nem com qualquer outra empresa. Ele não pode chegar amanhã e terceirizar uma empresa para administrar as embarcações. Isso é contra a legislação - disse.

Ele disse ainda que estas autuações foram encaminhadas para o Ministério Público para que o órgão entre com ações na Justiça para coibir a presença dos cooperativados nas embarcações. - Além da presença de cooperativados, já autuamos a empresa por várias outras irregularidades, como falta de depósito do FGTS dos funcionários e falta de condições de trabalho nas embarcações - acresccentou.

 Sobrecarga de trabalho

Além de serem ilegais, os funcionários cooperativados estariam trabalhando mais do que o dobro da carga horária de trabalho dos efetivados. Eles não sofreriam nenhum tipo de restrição por parte da empresa, segundo explicou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins (FNTTAA), Ricardo Ponzi. 

Segundo Ponzi, os funcionários efetivados da empresa são protegidos por acordos coletivos de trabalho feitos entre a federação, sindicatos e a empresa. Dentre as normas descritas nestes acordos está o limite de carga horária e o número de dias a serem trabalhados.

- Isso acontece porque os trabalhadores das cooperativas não estão protegidos pelos acordos coletivos de trabalho nem pela CLT. Eles trabalham mais que o dobro da carga horária dos efetivados. Alguns chegam a trabalhar 20 horas. O interessante é que eles não recebem restrições da empresa. No nosso entender, isso coloca em risco os usuários do sistema, já que os funcionários estão fatigados - disse.

A assessoria das Barcas S/A negou que a carga horária destes funcionários seja diferentes dos funcionários efetivados.

Ricardo explicou que a federação entrou com uma ação civil pública contra a empresa para regularizar a situação destes trabalhadores das cooperativas. Segundo ele, a ação se encontra no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

- Queremos acabar com esta irregularidade. Todos os acidentes que ocorrem estão associados à sobrecarga de trabalho. Não somos contra estes trabalhadores. Eles só querem aumentar a renda deles. Somos contra a administração dos aquaviários, que permite esta prática - explicou.

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