Durval Barbosa, pivô do Escândalo dos Panettones, no qual o governador de Brasília, José Roberto Arruda (ex-DEM, hoje sem partido), aparece como principal mentor de uma rede de corrupção e distribuição de propinas para secretários de governo e deputados distritais, disse nesta terça-feira a jornalistas ser hoje "denunciante da maior roubalheira documentada" a que o país já teve acesso.
Barbosa também explicou que desistiu de dar esclarecimentos à CPI da Corrupção, instalada na Câmara Distrital, por causa da "falta de preparo" dos parlamentares. Ele alega que os deputados envolvidos no propinoduto instalado no Distrito Federal passariam de réus a inquisidores, o que transformaria a sessão em um verdadeiro "espetáculo".
Assessores de Barbosa o alertaram que a CPI ainda não havia recebido a cópia do inquérito realizado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga o esquema de corrupção, o que seria prejudicial para ele, que responde a outros 30 processos na Corte. Em carta encaminhada ao Blog da Paola, página de uma jornalista de Brasília na internet, Barbosa declara que falará aos deputados apenas quando "demonstrarem seriedade e interesses políticos".
"Na condição de denunciante da maior roubalheira documentada, já vista no Brasil, não poderia, jamais, me submeter a questionamentos meramente políticos, oriundos de parlamentares pertencentes à uma Casa apoteoticamente desorganizada político e administrativamente", escreveu.
Barbosa acrescentou que seu depoimento não teria influência significativa, nesta altura dos acontecimentos, para a elucidação do escândalo.
"As revelações tão esperadas pela sociedade como um todo, caso existisse, de nada valeria para as apurações da verdade, pelo menos nesse momento, onde se disputa a presidência da Casa, cargos em comissões temáticas, bem como a queda de braço entre situação e oposição, com direito a torcidas organizadas", acrescentou.