Genoino, pai de Miruna, segura a netinha em uma das últimas fotos tiradas enquanto ele cumpria prisão domiciliar
Apesar da pressão exercida pela defesa dos ex-ministros da Casa Civil José Dirceu, e da Defesa José Genoino, presos no Complexo Penitenciário da Papuda, nesta capital, em regime fechado – quando foram condenados ao semiaberto no julgamento da Ação Penal (AP) 470, do Supremo Tribunal Federal (STF) – o presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa, ainda não sinalizou quando levará ao Plenário as demandas dos líderes petistas. A demora na apreciação dos recursos tende a agravar, ainda mais, as condições de saúde dos apenados, ambos com idades acima dos 60 anos.
Barbosa, em uma decisão autocrática, determinou a suspensão dos direitos de Dirceu e do ex-presidente do PT Delúbio Soares, de trabalhar fora da prisão. E de Genoino, a possibilidade do tratamento condizente com a cardiopatia grave que o atingiu. Os advogados esperam que Barbosa seja derrotado se as questões forem ao Plenário do Supremo.
No início deste mês, Barbosa revogou o benefício do trabalho externo a réus como o ex-deputado Romeu Queiroz, de Delúbio Soares, do ex-advogado de Marcos Rogério Tolentino e negou a concessão deste benefício a Dirceu. Barbosa argumentou que os apenados eles não cumpriram ainda 1/6 da sentença, o que seria pré-requisito fundamental para a concessão do benefício do trabalho externo.
Além dos recursos, os advogados têm tentado que o presidente do Supremo paute as questões pendentes o quanto antes. Apesar disso, nos corredores do Supremo, acredita-se que Barbosa somente pautará a questão no segundo semestre deste ano, na esteira de outros julgamentos considerados agora prioritários, como o relacionado ao ressarcimento das perdas causadas pelos planos econômicos no final dos anos de 1980 e no início dos anos de 1990 e também por conta do expediente reduzido no Supremo, durante a Copa do Mundo.
Durante o julgamento dos últimos recursos dos condenados no julgamento que ficou conhecido como 'mensalão', o Plenário, por unanimidade, determinou que Barbosa se responsabilizasse pelas decisões relacionadas à execução das prisões dos condenados no mensalão. Assim, alguns analistas temem que a maioria dos ministros se abstenha de analisar essa questão justamente por ter repassado, naquele momento, essa responsabilidade a Barbosa.
Questão de saúde
Quanto ao estado de saúde do também ex-deputado José Genoino, a filha dele, Miruna, escreveu uma carta aberta na qual chama atenção para o fato que o pai dela sofreu "uma isquemia cerebral transitória (ou o conhecido AVC) em agosto, quando se recuperava da cirurgia do coração e desde então vem sendo tratado com alimentação rigidamente controlada e medicação. Meu pai precisa ter sempre o índice de coagulação entre 2 e 3. Quando foi levado para o presídio a primeira vez, saiu de lá com o índice de coagulação em 5,6. Quase com hemorragia".
Leia, a seguir, os principais trechos da carta:Agora foi mandado novamente para a prisão e obteve nessa semana um resultado grave e preocupante: 1,06. Alto risco de um novo AVC.Hoje, na visita, depois de serem revistados de cima para baixo, depois da enorme fila, tensão e ansiedade, minha mãe e meus irmãos não puderam entregar as cartas que eu escrevo diariamente para meu pai. “Temos que ler”. Livros, nenhum. “Só religiosos”. Hoje, não puderam nem mesmo entregar alimentos prescritos pelo médico e pela nutricionista. Hoje, o desenho que meu filho fez para o avô só entrou depois que foi esquadrinhado e muito bem explicado. “Ele é meu sobrinho. (e é o quê dele?) É o neto. (e o que é isso?). É um desenho. Um avião”.Por que estão fazendo isso com meu pai? Ele não vai mais se candidatar a nada, saiu da vida política, já foi condenado, já mancharam a sua história política, por que isso também? Por que a sua vida, a sua saúde?Eu não quero um herói, não quero um mártir, nem um símbolo. Eu quero meu pai vivo. Eu quero ter um pai, quero que meus filhos tenham o avô. E quero sobreviver a tudo isso de alguma forma, ainda sem saber ao certo como.
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