Barão de Itararé-RJ protesta contra demissão de jornalistas
Em primeiro lugar, não é possível que o Estado brasileiro – municípios, Estados e União – continue repassando suas verbas públicas de publicidade para empresas sem compromisso com a responsabilidade social ou com o emprego de seus jornalistas.
Por Redação - do Rio de Janeiro:
A onda de demissões nas empresas de comunicação, nas principais capitais do país mas, em especial, no Rio de Janeiro – cidade-sede das Organizações Globo – foi mais um sinal de alerta para a representação, no Rio de Janeiro, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ao qual integra o Correio do Brasil, às distorções no modelo de financiamento do setor, altamente cartelizado. Em nota, divulgada nesta quinta-feira, o Barão de Itararé-RJ alerta que "em primeiro lugar, não é possível que o Estado brasileiro – municípios, Estados e União – continue repassando suas verbas públicas de publicidade para empresas sem compromisso com a responsabilidade social ou com o emprego de seus jornalistas. O critério para essa distribuição de recursos precisa ser mais rígido no que diz respeito à garantia do emprego".
Os tubarões da mídia têm o lucro como alvo primário e demitem em massa, apesar da transferência de verbas públicas para os cofres das empresas cartelizadasLeia, adiante, a "Nota de repúdio às demissões de jornalistas no Rio de Janeiro":
Nesta primeira semana de setembro assistimos mais uma onda de demissões no jornalismo carioca. Dessa vez as vítimas foram os funcionários do InfoGlobo – empresa que cuida dos jornais O Globo, Expresso e Extra.
Já há algum tempo o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé vem apontando para a necessidade de mudanças no modelo econômico do jornalismo no Rio de Janeiro.
Mesmo recebendo anualmente, centenas de milhões de reais dos recursos públicos via publicidade oficial dos governos federal, estadual e municipal, as principais empresas de comunicação presentes na cidade continuam optando por demissões e mais demissões.
Apenas neste ano de 2015 que ainda não terminou já foram cerca de 500 profissionais demitidos nas principais redações do Rio de Janeiro.
Primeiro foi a própria Globo que em janeiro deste ano demitiu cerca de 160 profissionais.
Em agosto foi o grupo Ejesa – dono dos jornais Brasil Econômico, O Dia e Meia Hora – que demitiu cerca de 50 funcionários.
Já nesta primeira semana de setembro foi o InfoGlobo que novamente voltou a demitir cerca de 40 funcionários.
Curiosamente, as demissões ocorrem no mesmo momento em que a revista Forbes anunciou que a família Marinho – dona do grupo Globo – é a mais rica do Brasil com uma fortuna de aproximadamente US$ 30 bilhões.
O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé acredita que duas medidas devam ser levadas em consideração pelo poder público.
Em primeiro lugar, não é possível que o Estado brasileiro – municípios, Estados e União – continue repassando suas verbas públicas de publicidade para empresas sem compromisso com a responsabilidade social ou com o emprego de seus jornalistas. O critério para essa distribuição de recursos precisa ser mais rígido no que diz respeito à garantia do emprego.
Por outro lado, acreditamos que novos modelos de negócios devam ser constituídos no jornalismo brasileiro. Em recente reunião com o ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, Edinho Silva, propusemos a criação de mesas de negociação articuladas pela SECOM para a constituição de cooperativas de jornalistas como forma de manutenção dos empregos dos recém demitidos.
Em todo o mundo a regulação pela mão invisível do mercado teve apenas uma consequência: acumulação do capital e demissões de trabalhadores. É papel do Estado brasileiro – prefeituras, governos estaduais e federal - evitar que essa tragédia tenha continuidade.
Rio de Janeiro, 03 de setembro de 2015.
Barão de Itararé-RJ
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