A diretoria do sindicato dos jornalistas do Rio, eleita em voto direto dos profissionais, corre o risco de ser derrubada
Em uma Carta aberta à esquerda carioca, distribuída na tarde desta terça-feira, a seção Rio de Janeiro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé posiciona-se contra um possível golpe, em marcha, para a destituição da atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Leia, a seguir, a nota do Barão:
"A luta pela democratização dos meios de comunicação, que constitui trilho irremovível de atuação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, não se resume apenas à implementação de determinadas políticas públicas. Nossa luta passa também pela construção e defesa cotidiana de entidades do setor que sejam solidamente democráticas, transparentes e populares."Neste sentido, o Barão de Itararé faz um alerta ao conjunto das forças democráticas e populares do Rio de Janeiro. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, uma das poucas entidades que mantém uma postura sempre firme de diálogo e solidariedade com os movimentos sociais atuantes em nossa cidade, corre o risco iminente de sofrer um golpe."Como é sabido, a ação vem sendo orquestrada de dentro das redações da mídia corporativa. Em 29 de julho surgiu o primeiro sinal: matéria com grande espaço no jornal O Globo abriu as portas para a mobilização de um abaixo-assinado pela destituição da atual diretoria do sindicato. O argumento central da acusação é o de que o sindicato estaria contra os interesses dos jornalistas ao dar espaço para os movimentos sociais em sua sede."O Barão de Itararé posiciona-se ao lado da democracia e conclama o conjunto de movimentos sociais e organizações da sociedade civil a defenderem o Sindicato dos Jornalistas desse golpe comandado por patrões contra trabalhadores. Se estão insatisfeitos com a atuação da atual direção, o que é politicamente legítimo, então que disputem as eleições nas urnas. Golpe, não!Barão de Itararé,Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2014.Comissão de Ética
Ainda nesta terça-feira, o presidente da Comissão de Ética da instituição, jornalista Sylvia Moretzsohn, desmontou um dos principais documentos no qual parcela dos profissionais sindicalizados utilizou como plataforma da tentativa de golpe em curso contra a atual diretoria. O texto, que incita ao golpe, foi divulgado por integrantes de parte da diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
"Falo com a segurança de quem apurou os fatos. Por isso posso dizer que o primeiro parágrafo da nota reúne uma sucessão de mentiras escandalosas.
"É verdade que fatos intoleráveis ocorreram naquela reunião. Mas é absolutamente falso dizer que 'não se ouviu uma palavra em defesa dos associados vilipendiados e criminalizados quando apenas cumpriam o seu dever'. Pelo contrário, a presidente do Sindicato, que mediou o encontro, interveio em todas as vezes em que os presentes criticaram os jornalistas ou tentavam impedi-los de falar.
"Tampouco 'os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas viram-se obrigados a abandonar o Sindicato'. Não foram expulsos, como, aliás, indevidamente se noticiou em parte da imprensa e se propagou amplamente por aqui. Saíram quando entenderam que seu trabalho estava concluído. É verdade que ficaram indignados com o que ocorreu, que se sentiram ofendidos e confrontados, o que de si já é suficientemente grave. Mas reconhecer isto é totalmente diferente de dizer que foram constrangidos ou, pior ainda, obrigados a se retirar.
"Se os signatários do texto tivessem feito o trabalho elementar de todo jornalista, que é apurar os fatos, teriam evitado escrever essa enxurrada de mentiras", afirma Moretzsohn.
Leia aqui, na íntegra, a manifestação da presidente do Conselho de Ética, Sylvia Moretzsohn:Sou presidente da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro e, por força do cargo, até o momento não me havia manifestado publicamente sobre o que ocorreu na reunião do último dia 25, que provocou o movimento de contestação à diretoria da entidade. Mas, diante da nota que a Associação Brasileira de Imprensa acaba de publicar em seu site, não posso continuar em silêncio.Na última sexta-feira a Comissão ouviu a diretoria do Sindicato sobre o ocorrido. Hoje, se reunirá para divulgar uma posição oficial sobre o caso. Portanto, o que escrevo aqui não antecipa essa decisão: não falo em nome da Comissão, mas em meu nome próprio. E se me apresso é porque há urgência: nesta noite haverá uma plenária no Sindicato, o clima é de tensão e deter a disseminação de informações falsas é uma questão de responsabilidade da qual eu não posso me furtar.Falo com a segurança de quem apurou os fatos. Por isso posso dizer que o primeiro parágrafo da nota reúne uma sucessão de mentiras escandalosas.É verdade que fatos intoleráveis ocorreram naquela reunião. Mas é absolutamente falso dizer que "não se ouviu uma palavra em defesa dos associados vilipendiados e criminalizados quando apenas cumpriam o seu dever". Pelo contrário, a presidente do Sindicato, que mediou o encontro, interveio em todas as vezes em que os presentes criticaram os jornalistas ou tentavam impedi-los de falar.Tampouco "os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas viram-se obrigados a abandonar o Sindicato". Não foram expulsos, como, aliás, indevidamente se noticiou em parte da imprensa e se propagou amplamente por aqui. Saíram quando entenderam que seu trabalho estava concluído. É verdade que ficaram indignados com o que ocorreu, que se sentiram ofendidos e confrontados, o que de si já é suficientemente grave. Mas reconhecer isto é totalmente diferente de dizer que foram constrangidos ou, pior ainda, obrigados a se retirar.Se os signatários do texto tivessem feito o trabalho elementar de todo jornalista, que é apurar os fatos, teriam evitado escrever essa enxurrada de mentiras.Digo isto com absoluta tranquilidade porque apurei a história com quem cobriu a reunião. O que relato aqui é a expressão das informações que obtive.Para piorar, os autores da nota misturam (propositalmente? com que objetivo?) manifestações ocorridas em contextos distintos para carregar nas tintas e pintar um quadro infinitamente pior do que o verdadeiro. Ninguém, naquela reunião, chamou os jornalistas de "carniceiros". Esta ofensa foi proferida por uma das ativistas apontadas como líder dos protestos, meses atrás, quando reagiu agressivamente à presença da imprensa no momento em que ia buscar informações sobre os responsáveis pelo acionamento do morteiro que matou o cinegrafista Santiago Andrade, e que tinham acabado de ser presos. Esta mesma ativista foi uma das presas em decorrência do recente inquérito policial que investiga a ação violenta de manifestantes. Beneficiada por habeas corpus na véspera da reunião no Sindicato, compareceu ao encontro, manifestou-se agressivamente em vários momentos, mas não consta que tenha chamado ninguém de "carniceiro". Não ali.Misturar contextos seguramente não faz parte da boa prática jornalística.Resta saber o que se pretende com a divulgação de uma sucessão de falsidades horas antes da plenária convocada para hoje à noite, na sede do Sindicato. Questões sérias e graves como as levantadas ao longo desta semana precisam ser discutidas com serenidade e com base em informações fidedignas. Não em deturpações ou ilações.A não ser que a intenção seja acirrar o clima de tensão. Com que objetivo?A ABI está sabidamente mergulhada numa crise há cerca de dois anos. Faria melhor se cuidasse de seus problemas, antes de sair por aí disseminando inverdades, como se tivesse o prestígio de outros tempos.
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