Barack Obama promete resposta "mais agressiva" para conter ebola nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu uma "resposta muito mais agressiva" e eficiente para impedir a propagação do vírus ebola. Ele convocou reunião de emergência a terceira em quatro dias, após a repercussão do segundo caso de contaminação por ebola no país, o de outra funcionária do hospital em Dallas, no Texas, onde o liberiano que morreu na semana passada havia sido tratado.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu uma "resposta muito mais agressiva" e eficiente para impedir a propagação do vírus ebola
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu uma "resposta muito mais agressiva" e eficiente para impedir a propagação do vírus ebola. Ele convocou reunião de emergência a terceira em quatro dias, após a repercussão do segundo caso de contaminação por ebola no país, o de outra funcionária do hospital em Dallas, no Texas, onde o liberiano que morreu na semana passada havia sido tratado.
Obama informou que equipes da Swat (polícia norte-americana) serão encaminhadas em 24 horas a qualquer hospital que tenha tido um paciente contaminado pelo vírus. Além disso, o governo federal vai fazer contato com pessoas suspeitas de infecção antes mesmo que os sintomas sejam apresentados.
Para promover a reunião, o presidente cancelou viagem que faria para apoiar a campanha dos Democratas às eleições legislativas do mês que vem. Isso porque o segundo caso, revelado nesta quarta-feira, repercutiu negativamente na imprensa e na opinião pública. A funcionária do hospital viajou de avião em voo doméstico, após ter apresentado febre baixa na última segunda-feira.
Os órgãos de saúde, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, a sigla em inglês) foram questionados sobre a viagem da enfermeira, já em condição de monitoramento. Após a reunião, Obama disse que o CDC deve ter uma equipe capaz de responder mais rapidamente quando o tema for o ebola.
A atuação do órgão já havia sido questionada. A opinião pública queria saber se o liberiano diagnosticado com o vírus na segunda quinzena de setembro, e que morreu na semana passada, recebeu o tratamento adequado. Agora a população quer saber que erros foram cometidos para que ocorressem os dois casos de contaminação de enfermeiras.
Ontem, o diretor da agência governamental, Thomas Frieden, disse que a enfermeira não deveria ter viajado no avião que levava 132 passageiros, já que estava em situação de monitoramento. A rede CNN divulgou informações, no entanto, de que ela teria pedido autorização ao CDC para fazer a viagem de avião e que teria recebido permissão.
Thomas Frieden acrescentou que a viagem no avião com outros passageiros não foi uma decisão correta, mas disse que a enfermeira não apresentava outros sintomas e não teve náuseas ou vômitos durante o voo, o que aumentaria o risco de contaminação dos passageiros. "O CDC vai assegurar que pessoas monitoradas não usem meios de transporte públicos, aéreos ou terrestres, enquanto estiverem em observação", disse Frieden em comunicado.
Apesar disso, ele lembrou que os passageiros foram informados pela companhia aérea que devem se apresentar caso seja detectado algum sintoma, ainda que o risco seja remoto.
A segunda enfermeira contaminada com ebola em Dallas deu entrada, na tarde dessa quarta-feira, no Hospital Universitário Emory, de Atlanta, na Georgia, onde foram atendidas, em agosto, duas pessoas que superaram o vírus. A imprensa norte-americana já revelou a identidade da funcionária do hospital texano, mas o governo não confirmou o nome.
O Hospital Universitário de Emory é uma das quatro unidades de saúde norte-americanas que têm sala de isolamento especial para o tratamento de doenças altamente contagiosas.
Na terça-feira, a enfermeira foi internada na Hospital Presbiteriano, em Dallas, mesma unidade hospitalar que atendeu a primeira profissional de saúde que apresentou os sintomas da doença.
Após receber o diagnóstico no domingo, a jovem continua em observação e seu estado de saúde é estável segundo boletim divulgado nesta quarta. Ela vem recebendo medicamentos e foi submetida a um tratamento experimental com transfusão de sangue de um paciente curado de ebola.
Desde o início do ano, foram registrados 8.914 casos de ebola, com 4.447 mortes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
Hospital do Texas
O Hospital Presbiteriano do Texas, em Dallas, onde foi registrado o primeiro caso de ebola nos Estados Unidos, cometeu erros de gestão envolvendo o paciente que morreu há uma semana e contagiou duas enfermeiras.
O diretor clínico da Texas Health Resources, consórcio de saúde ao qual pertence o hospital, Daniel Varga, compareceu nesta quinta-feira à Câmara dos Representantes, mas o documento que será apresentado por ele já foi difundido por meios de comunicação norte-americanos.
- Infelizmente, cometemos erros no primeiro contato com o paciente contaminado, apesar das melhores intenções nossas e da equipe médica altamente qualificada - admite Daniel Varga, desculpando-se também por “não ter diagnosticado corretamente os sintomas do ebola”.
O paciente procurou pela primeira vez o Hospital Presbiteriano do Texas no dia 25 de setembro, com febre e dores abdominais, mas os médicos deixaram que ele voltasse para casa com antibióticos, sem levar em consideração que o homem vinha da Libéria. Três dias depois, ele voltou ao hospital e foi colocado sob quarentena.
Varga também reconheceu erros no “esforço de comunicar o que se passava de forma rápida e transparente à opinião pública”, os quais “inquietaram uma comunidade que já estava preocupada e confundida”. O executivo explicou que, devido a esses erros, o hospital adotou “uma série de mudanças baseadas nas lições aprendidas”.
Durante o período em que o paciente ficou internado, pelo menos duas enfermeiras que o atenderam foram infectadas pelo vírus.
O segundo caso de contaminação foi confirmado ontem (15), quando as autoridades norte-americanas colocaram sob alerta todos os passageiros de um voo feito por uma enfermeira, na última segunda-feira, entre Cleveland e Dallas, quando ela já apresentava febre.
Fontes governamentais indicaram que ela consultou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, no sentido de saber se poderia fazer a viagem de avião e que foi autorizada.
Após ter sido diagnosticada com o ebola, a paciente foi transferida para o Hospital Emory de Atlanta, que já tratou norte-americanos repatriados da África Ocidental depois de confirmado o diagnóstico.
Entretanto, as autoridades de Dallas planejam divulgar ainda hoje uma declaração de emergência face ao risco de contágio do vírus. A cidade registra uma morte, três casos confirmados e 118 pessoas em potencial risco de contrair o vírus, das quais mais da metade integra o pessoal de saúde.
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