A equipe BAR anunciou nesta sexta-feira que não vai à Justiça comum contra a suspensão de duas corridas por ter violado os limites de peso e os regulamentos sobre combustível na Fórmula 1. A equipe só voltará a disputar as provas no final de maio.
- Agora vamos para casa, os rapazes estão empacotando tudo, todos entendem a situação - disse o chefe da equipe Nick Fry durante os preparativos para o GP da Espanha.
A equipe, patrocinada pela British American Tobacco e pela Honda, ficará de fora, portanto, da corrida de domingo em Barcelona e da glamourosa prova de Mônaco, no dia 22.
-Depois de receber a melhor consultoria jurídica, em todas as jurisdições relevantes, a conclusão é de que nada pode ser feito para permitir que o time corra neste fim de semana - disse nota divulgada pela BAR.
-O time decidiu que desafiar a entidade que governa o esporte (FIA) causaria um nível de rompimento e dano ao esporte que não serviria aos melhores interesses de nenhum dos envolvidos - disse a equipe, justificando o porquê de não tentar resolver a situação até Mônaco.
- Não sentei para calcular, mas em termos de obrigações contratuais, posso dizer com confiança que isso vai ultrapassar 10 milhões (de dólares em prejuízos), imagino - afirmou Fry.
A BAR também perdeu os pontos que conquistou em abril no GP de San Marino. O britânico Jenson Button havia chegado em terceiro, e o japonês Takuma Sato, em quinto. Esses haviam sido os primeiros pontos da BAR na temporada. Agora, a equipe só conseguirá sair do zero a partir da sétima prova.
Isso ameaça as esperanças do time em manter Button na próxima temporada. O piloto já havia sido objeto de uma guerra contratual com a Williams em 2004.
- Tornamos as coisas mais difíceis para nós, sem dúvida. Mas queremos Jenson em 2006 e depois - disse Fry.
Button e Sato compareceram ao Circuit de Catalunya nesta quinta-feira, à espera de uma ordem - que não ocorreu - para participarem dos treinos livres.
-Acho que isso já foi longe demais, já expusemos nossos argumentos. Insistimos que não fizemos nada errado, ainda achamos que a penalidade foi excessiva, mas os advogados estão nos dizendo que a questão de jurisdição é muito difícil - afirmou Fry.
-Não podemos encontrar um tribunal que esteja disposto a dizer: 'Sim, é nossa responsabilidade O caso é muito sólido, a única possibilidade seria na França (onde fica a sede da FIA), mas isso não pode ser feito a tempo.
Um tribunal de recursos do automobilismo, que analisava uma queixa da FIA contra seus próprios comissários, decidiu na quinta-feira que a BAR só poderia ter atingido o peso mínimo para os seus carros em Ímola se usasse combustível como lastro, o que não é permitido.
A sentença desta quinta-feira disse que havia "um compartimento especial dentro do tanque de combustível", cujo conteúdo permitia que o carro atingisse o peso mínimo.
Fry acha que as outras equipes também agem assim.
- Sabemos que outros times têm sistemas similares. O fornecedor do nosso tanque de combustível é o mesmo de muitas outras equipes, eles confirmam que não há nada de diferente com o nosso sistema. Essa é uma interpretação muito rígida das regras, e acho que fez todo mundo olhar cuidadosamente para o que está fazendo - disse ele.