Um militante suicida atraiu nesta quarta-feira uma multidão de xiitas para sua minivan e provocou uma explosão em Bagdá, matando 114 pessoas e ferindo mais de 156, no segundo pior atentado a bomba no Iraque desde o começo da guerra.
O homem-bomba prometia trabalho aos xiitas. Dentro do veículo, havia cerca de 220 quilos de explosivos, segundo uma fonte do Ministério do Interior.
Outro homem-bomba explodiu seu carro na zona norte de Bagdá, matando 11 pessoas que faziam fila para encher botijões de gás. Em Taji, subúrbio também da zona norte, homens armados arrastaram 17 pessoas de suas casas e as mataram durante a madrugada. Todas as vítimas eram parentes e pertenciam à mesma tribo xiita.
Outra explosão sacudiu o centro de Bagdá cerca de duas horas depois da primeira. Mais dois carros-bomba explodiram logo depois.
A polícia disse que cinco pessoas morreram e 24 ficaram feridas em uma das explosões, perto do escritório de um clérigo xiita. Três policiais e três civis morreram em um outro ataque, contra um comboio policial.
Ao todo, mais de 150 pessoas morreram nos incidentes de quarta-feira, que, segundo a polícia, foram cuidadosamente orquestrados.
- Foi um dia agitado, com bombas explodindo em toda Bagdá. É altamente provável que esses ataques tenham sido coordenados - disse um policial.
A Al Qaeda reivindicou a autoria de uma campanha nacional de atentados suicidas para vingar uma ofensiva militar contra uma cidade rebelde.
Uma nota em um site islâmico frequentemente usado pela Al Qaeda do Iraque não fez menção a nenhum ataque específico, mas disse que a campanha é uma represália pela ofensiva das forças iraquianas e norte-americanas contra os insurgentes de Tal Afar, no norte do país.
- Gostaríamos de cumprimentar a nação muçulmana e informá-la de que a batalha para vingar os sunitas de Tal Afar começou - disse o texto.
Um dos trabalhadores que sobreviveram ao ataque de Bagdá contou que "subitamente um carro explodiu e transformou a área em fogo, poeira e escuridão".
Havia vários corpos na rua, ao lado de carros queimados, segundo testemunhas. Algumas pessoas usavam carroças de madeira para retirar os mortos.
O atentado mais violento desde a invasão norte-americana de 2003 ocorreu em 28 de fevereiro deste ano, quando 125 pessoas morreram devido à explosão de um carro-bomba em Hila, ao sul de Bagdá.
- Não há partido político aqui, não há polícia - disse Mohammed Jabbar, que estava no local da explosão, no bairro de Khadimiya.
- Isso teve inocentes, civis, como alvo. Por que mulheres e crianças? - acrescentou ele, cercado por outras pessoas que faziam coro:
-Por quê? Por quê?.
No começo deste mês, mais de 1.000 pessoas morreram no mesmo bairro por causa de um tumulto sobre uma ponte, desencadeado por boatos de que havia um homem-bomba misturado à multidão que participava de uma festa xiita.
No superlotado hospital Kadhimiya, nos arredores, dezenas de feridos gritavam em agonia ao serem tratados no chão. Alguns estavam sobre poças do próprio sangue.
Um homem teve queimaduras graves nos braços e pernas. Outra vítima, tremendo incontrolavelmente, estava sem atendimento, apesar de uma forte hemorragia.
As autoridades acusam os militantes sunitas de atacarem a maioria xiita, que chegou ao poder em janeiro, graças a uma eleição que foi boicotada pelos sunitas. Tal divisão desperta temores de uma guerra civil, ainda mais quando o Iraque se prepara para um referendo, em 15 de outubro, sobre a nova Constituição, que foi rejeitada pelos políticos sunitas.