Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Banho de sangue na Rússia já conta 118 mortos

Domingo, 27 de Outubro de 2002 às 09:54, por: CdB

Subiu para 118 o número oficial de reféns mortos como resultado da operação de retomada do teatro em Moscou onde rebeldes chechenos mantiveram mais de 750 pessoas seqüestradas por três dias na semana passada. Duas estrangeiras estão entre as vítimas, anunciou uma emissora russa de TV. Neste domingo, uma ex-refém relatou que uma crise nervosa de um menino que estava no teatro desencadeou o tiroteio que induziu as tropas russas a invadirem o teatro na manhã de sábado (início da madrugada em Brasília). Até a noite de sábado, dizia-se que mais de 90 reféns e cerca de 50 chechenos haviam morrido na ação. Mas o banho de sangue não apenas foi maior, como crescem as desconfianças em torno da relação entre o enorme número de mortos e o uso do gás lançado nos dutos de ar do prédio para diminuir a capacidade de reação dos chechenos. Médicos vêm dizem que, ao inalar a fumaça, várias pessoas morreram engasgadas no próprio vômito. Segundo a emissora de televisão russa NTV, duas estrangeiras - seriam uma mulher da Holanda e uma menina de 13 anos, do Cazaquistão - morreram intoxicadas pelo gás. A emissora atribuiu a informação a médicos que atenderam as vítimas. Apesar da crescente pressão para que o governo revele a natureza do gás usado na operação, Moscou insiste em descrevê-la como 'uma substância especial'. O Ministério do Interior nega que tenham ocorrido mortes de reféns por causa da substância. A NTV disse que os ministérios de Relações exteriores da Holanda e do Cazaquistão confirmaram a morte de duas pessoas desses países que estavam no teatro. O ministério holandês confirmou a morte da mulher, mas esperava confirmação da causa. O seqüestro - A crise que trouxe a guerra pela independência da República da Chechênia para o coração de Moscou começou na noite de quarta-feira, quando cerca da 50 rebeldes chechenos invadiram um teatro onde mais de 800 pessoas assistiam a um musical que vinha fazendo sucesso na capital russa. Eles diziam-se membros 29ª divisão do Exército checheno e pediam o fim da ocupação da república pelas forças russas. Toda a platéia foi feita refém. Crianças foram liberadas pouco depois. Os seqüestradores - alguns dos quais morreram com explosivos atados aos corpos - minaram o local. Na sexta-feira, os rebeldes deram um ultimato ao governo: ou Moscou anunciava o fim da intervenção militar na Chechênia até às 6h de sábado (23h de sexta-feira em Brasília), ou os reféns começariam a morrer. Pouco antes do fim do prazo, foram ouvidas explosões próximas ao prédio e disparos de tiros. Olga Chernyak, uma jornalista que assistia ao musical e foi feita refém, contou, do hospital, que os momentos finais do seqüestro, que acabaram no banho de sangue que se viu depois, começaram quando um menino desesperou-se. - Ele correu em direção à saída gritando: 'mamãe, eu não sei o que fazer'. Eles abriram fogo contra ele, mas acertaram pessoas que estavam sentadas. Um homem foi atingido no olho. Havia muito sangue, sangue jorrando. Uma menina foi atingida no lado. Eles nos disseram: 'não se preocupem. Está tudo bem.'' Não estava, momentos depois centenas de soldados de tropas de elite russas invadiram o lugar, achando que os chechenos haviam começado a cumprir a promessa de matar os reféns.

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