Se na noite de domingo o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, responsabilizou administrações anteriores pela corrupção dentro da cadeia, nesta segunda ele mudou o discurso. Em entrevista à CBN, ele disse que as imagens exibidas no "Fantástico" - que mostravam o tráfico de drogas dentro de Bangu IV - eram um teatro armado para desestabilizar a direção do presídio.
"Quem efetuou a filmagem era alguém interessado em derrubar a nova direção, que acabou com privilégios e alterou no sistema de revista, o uso de uniformes", disse ele.
Astério disse que foi determinada a abertura de inquérito administrativo e de inquérito criminal. E que o agente penitenciário que aparece na reportagem foi afastado. Para defender sua posição, ele disse que no setor em que foi filmada a reportagem, há um número reduzido de presos.
- Não haveria necessidade daquela camelotagem, daquela feira livre. Naquele espaço não haveria necessidade de fazer aquela oferta, aquela feira livre. O programa recebeu a fita, há pelo menos 45 dias, e de uma pessoa que tem interesse em derrubar a direção da penitenciária.
Apesar disso, ele admitiu que há fragilidade no setor de revista e uso de drogas no cárcere. Ele disse que os bloqueadores de celulares estão funcionando e assegurou que a fita é anterior a 18 de setembro, quando foram instalados bloqueadores.
A reportagem mostra que os presos de Bangu IV fazem tráfico de drogas e utilizam telefones e radiotransmissores, com a conivência de um agente penitenciário. Traficantes aparecem vendendo cigarros de maconha e sacolés de cocaína. Quando um agente penitenciário chega, o bandido tranqüiliza: "Tá arregado".
Na gíria da cadeia, isso significa que o agente foi subornado. Há três meses, detentos foram flagrados com maconha no pátio de Vicente Piragibe, uma das 14 cadeias do complexo. Duas empresas de telefonia celular desligaram as antenas próximas ao Complexo de Bangu neste final de semana.