Bandidos voltaram a desafiar as autoridades de segurança do Rio quando incendiaram mais três veículos em um acesso ao Trevo das Margaridas, entroncamento da Rodovia Presidente Dutra com a Avenida Brasil, em Irajá. No total foram sete ataques, entre incêndios criminosos, arrastões e falsas blitzes, desde a noite do último sábado. A sequência de ações de bandidos forçou a polícia a anunciar uma série de medidas para aumentar o patrulhamento nas ruas. Na avaliação do governo do estado, traficantes estariam tentando aterrorizar a população em represália à instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e às transferências de chefões do crime para penitenciárias federais. Pouco antes do ataque no Trevo das Margaridas, bandidos atiraram contra uma cabine blindada da PM, na Praça Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá, por volta de 6h15. Os policiais que estavam no local não se feriram. Vinte minutos depois e a 1.700 metros dali, um Voyage dourado bloqueou o trânsito na Rua Itapera. Usando coletes à prova de balas, cinco homens portavam armas pesadas e granadas e renderam primeiro o fabricante e vendedor de velas José Augusto da Rocha Costelha, 53 anos, dono do Uno LAO-4749 que foi incendiado. Presos no engarrafamento e chocados com a cena, passageiros começaram a pular dos ônibus pelas janelas e motoristas abandonaram seus veículos na via ou tentaram voltar de ré. O segundo alvo foi o mecânico Wagner Villas Boas, 45 anos, que também teve o Monza LIK-8508 incendiado. Ele tinha acabado de deixar o filho de três anos numa creche. O terceiro ataque foi à van KUB-4497 na qual o motorista Elias Ferreira de Lima, 64 anos, conduzia 15 passageiros. Na fuga, o bando deixou para trás uma das garrafas com combustível, uma caixa de fósforo e um isqueiro. Um Siena verde estaria na cobertura. Os cinco incendiários não se preocuparam em esconder o rosto perante as vítimas nem dos operários que trabalham na construção do Shopping Via Brasil, em frente ao local do ataque. O delegado Roberto Ramos, da 27ª DP (Vicente de Carvalho), disse que as vítimas ajudarão na confecção de retratos-falados dos bandidos. Ele investiga informações de que o ataque realmente tenha sido promovido por traficantes expulsos do Morro do Borel, na Tijuca, onde foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), e que estariam refugiados em São João de Meriti. O delegado João Dias, titular da 27ª DP, espera novas pistas para tentar chegar aos criminosos que atearam fogo aos três veículos. A polícia tem informações de que o grupo fugiu em direção à Avenida Meriti. O cruzamento de informações de quatro delegacias revela uma perigosa ligação que há tempos vinha sendo especulada: a de que as facções Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) estariam costurando uma trégua. A investigação indica que um encontro teria ocorrido no último sábado, no baile da Rua 1, na Favela da Rocinha. Um dos gerentes do tráfico do Complexo do Alemão, Diego Raimundo da Silva Santos, o Mister M, e alguns de seus seguranças teriam sido recepcionados por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, o chefão da Rocinha, e apresentados com toda a pompa no sistema de som do evento. No dia seguinte, criminosos da comunidade da Zona Sul teriam ido a um baile no Alemão. A costura do acordo teria sido feita por um dos maiores fornecedores de drogas (matutos) do Rio, Cristiano de Sá Silva, o Abelha. Em outubro, ele fugiu da cadeia após receber o benefício de visitar a família. Ex-integrante do CV, ele mudou de lado depois da ascensão de seu irmão, Saulo de Sá Silva, como matuto da Rocinha, preso em Bangu 1. Os ataques: No último sábado à noite, o eletricista Paulo César Alves, 41 anos, foi morto com um tiro de fuzil na Rodovia BR-116 (Rio-Magé), altura de Duque de Caxias, na frente da mulher, da filha de 5 anos e dos sobrinhos de 8 e 11 anos. Segundo a polícia, Paulo tentou escapar de assalto. Já a família afirma que os criminosos faziam uma falsa blitz na estrada e atiraram quando houve uma colisão. Os ladrões não roubaram nada. No último domingo, às 13h, bandidos armados com fuzis e uma granada fecharam a Linha Vermelha, em direção ao Centro, altura de Vigário Geral. O grupo estava em dois carros e incendiou dois veículos depois de levar os pertences das vítimas. Durante a fuga, os criminosos ainda atiraram contra um furgão da Aeronáutica que estava enguiçado na pista. Um sargento escapou ileso. Também no último domingo por volta das 20h, bandidos atacaram motoristas na Rua Presidente Carlos de Campos, perto do Palácio Guanabara, sede do governo estadual. Seis pessoas foram roubadas, entre elas um casal que estava com os filhos. Pouco depois houve mais um ataque a motoristas, dessa vez na Rua Bogari, na Lagoa. A polícia investiga se o bando foi o mesmo que promoveu o arrastão em Laranjeiras. Ainda na noite de domingo, na Via Dutra, altura da Pavuna, bandidos armados com fuzis bloquearam trecho da estrada, sentido São Paulo, e roubaram um carro. Na ação, Guilherme Feitosa da Silva foi baleado na cabeça e está internado com gravidade.
Bandidos e governo travam queda-de-braço para ver quem manda no Rio
Bandidos voltaram a desafiar as autoridades de segurança do Rio quando incendiaram mais três veículos em um acesso ao Trevo das Margaridas, entroncamento da Rodovia Presidente Dutra com a Avenida Brasil, em Irajá. No total foram sete ataques, entre incêndios criminosos, arrastões e falsas blitzes, desde a noite do último sábado. A sequência de ações de bandidos forçou a polícia a anunciar uma série de medidas para aumentar o patrulhamento nas ruas.
Terça, 23 de Novembro de 2010 às 12:36, por: CdB