Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Bancos tomam empréstimos bilionários junto ao Fed

Os bancos dos Estados Unidos têm, discretamente, tomaram empréstimos de "quantias maciças" do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) nas últimas semanas, usando um recurso que a autoridade monetária implementou dois meses atrás para ajudar a conter a crise do crédito, publicou o diário inglês Financial Times, nesta terça-feira. (Leia Mais)

Terça, 19 de Fevereiro de 2008 às 08:19, por: CdB

Os bancos dos Estados Unidos têm, discretamente, tomaram empréstimos de "quantias maciças" do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) nas últimas semanas, usando um recurso que a autoridade monetária implementou dois meses atrás para ajudar a conter a crise do crédito, publicou o diário inglês Financial Times, nesta terça-feira. O jornal informou que até meados de fevereiro, o uso da Term Auction Facility (TAF) do Fed, que permite aos bancos tomar empréstimos a taxas relativamente atraentes, totalizou quase US$ 50 bilhões em recursos para pagamento em um mês.

Consumo de luxo

Na opinião de especialistas brasileiros, os esforços para a retomada do consumo nos EUA não afetará o Brasil, principalmente no consumo de artigos de luxo. A demanda por esses produtos, inclusive, tende a aumentar este ano, segundo afirmou a jornalistas o professor Silvio Passarelli, diretor do MBA Gestão de Luxo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Apesar da grande dúvida que ronda o mercado, sobre o fato de os Estados Unidos enfrentarem um período de crise este ano e se essa recessão pode atrapalhar os consumidores dos produtos de luxo no País, Passarelli é otimista.

- No Brasil, o luxo é consumido por muitas pessoas, homens, mulheres de diversas idades e que estão inseridas em uma única classe social, a alta. Eu não acredito que, se houver crise nos EUA, o Brasil será seriamente afetado - afirmou.

Ainda segundo o professor, no entanto, uma possível crise pode afetar "os rendimentos fáceis que vimos no ano passado, como em ações, por exemplo", disse.

- E eu creio que muitas pessoas deixarão de investir seu dinheiro no mercado de capitais e passarão a investir em artigos de ponta, ou seja, o consumo de luxo deve aumentar - afirmou.

O professor acredita ainda que o potencial de consumo dos brasileiros é pouco explorado pelo comércio de luxo no país.

- Atualmente, estima-se que o esse mercado movimente US$ 4 bilhões por ano no Brasil e eu creio que, mesmo sem mexer nada na estrutura orçamentária do país, os brasileiros têm potencial para movimentar US$ 12 bilhões tranqüilamente - acredita.

Passarelli explica ainda que há um engano em acreditar que a classe média e classe média alta consumam produtos de luxo.

- Classe média e classe média alta consomem produtos premium, que são os produtos top de linha que uma empresa comercial pode fabricar. São produtos diferenciados, sim, com alta qualidade, sim, mas não possuem o requinte e a exclusividade que um produto de luxo possui. Produtos de luxo são produzidos em pequenas quantidades, muitas vezes com detalhes artesanais. É a exclusividade que diferencia um produto de luxo de um produto premium - afima.

Passarelli acredita, ainda, que o mercado tem crescido de modo significativo nos últimos anos e deve apresentar elevação nos próximos 20 anos.

- As pessoas estão descobrindo que, além dos produtos de luxo, existem os serviços de luxo. Atualmente, hotéis, restaurantes e até hospitais estão se especializando nesse setor, o que abre ainda mais a possibilidade de expansão. Além disso, ainda não temos um superconsumo, como no Japão e na China, mas temos muito potencial para ter - concluiu.

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