Os bancos dos Estados Unidos têm, discretamente, tomaram empréstimos de "quantias maciças" do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) nas últimas semanas, usando um recurso que a autoridade monetária implementou dois meses atrás para ajudar a conter a crise do crédito, publicou o diário inglês Financial Times, nesta terça-feira. O jornal informou que até meados de fevereiro, o uso da Term Auction Facility (TAF) do Fed, que permite aos bancos tomar empréstimos a taxas relativamente atraentes, totalizou quase US$ 50 bilhões em recursos para pagamento em um mês.
Consumo de luxo
Na opinião de especialistas brasileiros, os esforços para a retomada do consumo nos EUA não afetará o Brasil, principalmente no consumo de artigos de luxo. A demanda por esses produtos, inclusive, tende a aumentar este ano, segundo afirmou a jornalistas o professor Silvio Passarelli, diretor do MBA Gestão de Luxo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Apesar da grande dúvida que ronda o mercado, sobre o fato de os Estados Unidos enfrentarem um período de crise este ano e se essa recessão pode atrapalhar os consumidores dos produtos de luxo no País, Passarelli é otimista.
- No Brasil, o luxo é consumido por muitas pessoas, homens, mulheres de diversas idades e que estão inseridas em uma única classe social, a alta. Eu não acredito que, se houver crise nos EUA, o Brasil será seriamente afetado - afirmou.
Ainda segundo o professor, no entanto, uma possível crise pode afetar "os rendimentos fáceis que vimos no ano passado, como em ações, por exemplo", disse.
- E eu creio que muitas pessoas deixarão de investir seu dinheiro no mercado de capitais e passarão a investir em artigos de ponta, ou seja, o consumo de luxo deve aumentar - afirmou.
O professor acredita ainda que o potencial de consumo dos brasileiros é pouco explorado pelo comércio de luxo no país.
- Atualmente, estima-se que o esse mercado movimente US$ 4 bilhões por ano no Brasil e eu creio que, mesmo sem mexer nada na estrutura orçamentária do país, os brasileiros têm potencial para movimentar US$ 12 bilhões tranqüilamente - acredita.
Passarelli explica ainda que há um engano em acreditar que a classe média e classe média alta consumam produtos de luxo.
- Classe média e classe média alta consomem produtos premium, que são os produtos top de linha que uma empresa comercial pode fabricar. São produtos diferenciados, sim, com alta qualidade, sim, mas não possuem o requinte e a exclusividade que um produto de luxo possui. Produtos de luxo são produzidos em pequenas quantidades, muitas vezes com detalhes artesanais. É a exclusividade que diferencia um produto de luxo de um produto premium - afima.
Passarelli acredita, ainda, que o mercado tem crescido de modo significativo nos últimos anos e deve apresentar elevação nos próximos 20 anos.
- As pessoas estão descobrindo que, além dos produtos de luxo, existem os serviços de luxo. Atualmente, hotéis, restaurantes e até hospitais estão se especializando nesse setor, o que abre ainda mais a possibilidade de expansão. Além disso, ainda não temos um superconsumo, como no Japão e na China, mas temos muito potencial para ter - concluiu.