Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Bancos seguirão exemplo de Chipre e confiscarão depósitos para evitar colapso

Por Marco Antonio Moreno, no Blog Salmón - O exemplo do Chipre, o laboratório do modelo de confisco de fundos privados, tornar-se-á cada vez mais prático para a banca como mecanismo de obtenção de recursos.

Sábado, 28 de Setembro de 2013 às 05:18, por: CdB
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Quando o ministro das Finanças holandês Jeroen Dijsselblöm disse à imprensa, há seis meses, que o regime de confisco de depósitos do Chipre seria o modelo para os futuros resgates dos bancos europeus, a declaração causou tanto furor que ele teve de retratar-se. Mas Dijsselblöm dizia a verdade: o confisco dos depósitos dos depositantes converte-se na política oficial da União Europeia, dado que a banca quer o teu dinheiro (I want your Money, como diz o Tio Sam). A Itália e a Polônia seguiram o exemplo cipriota e o plano vai prosseguir noutros países. Os ministros das Finanças da UE estão de acordo em relação a este plano para deslocar a responsabilidade das perdas bancárias para os próprios investidores, credores e depositantes dos bancos. Está claro que os fundos públicos já não são suficientes para resgatar uma banca na falência e requer o confisco de parte importante das poupanças privadas. A banca quer o teu dinheiro Se o modelo de Chipre for seguido ao pé da letra, os depósitos inferiores a 100 mil euros estarão assegurados pelos governos, enquanto os montantes superiores a essa soma sofrerão cortes que podem chegar ao 40% ou 50%. Esta nova prática de resgates à banca começou a ter seguidores e está a estender-se para além da Europa. Os bancos da Nova Zelândia e do Canadá também querem o dinheiro dos depositantes. Em breve, essa prática estender-se-á aos Estados Unidos e os grandes depósitos sofrerão severos castigos. Quem se atreverá a ter dinheiro nos bancos no futuro? A banca continua num processo de forte desalavancagem e por isso precisa de dinheiro real bem mais além do que oferecem os bancos centrais. Uma das razões do estancamento que sofre a economia e da falta de crédito que asfixia o setor produtivo é que todo o dinheiro que os bancos recebem com os planos de flexibilização quantitativa (a taxas de 0,25% ou 1%) é colocado em bonus soberanos dos governos, onde a taxa é de 4% ou 5%, o que permite obter ganhos de seis a 20 vezes só movendo o dinheiro do banco central para o Tesouro público. Apesar de a redução do premio de risco ter sido significativa, bem mais o foi o ganho da banca que, com este método, consegue limpar os seus balanços dos ativos tóxicos. O laboratório dos confiscos Num esforço por salvar a economia cipriota da falência, o governo aprovou uma lei que confiscou 4,3 bilhões de euros em depósitos pertencentes a cerca de 14 mil depositantes do Laiki Bank, deixando a cada depositante, com não mais de 100 mil euros, o limite de depósito assegurado sob as regulamentações da UE. Depois do fecho do Laiki, os ativos diminuídos dos depositantes foram transferidos para o Banco do Chipre. Como assinalamos em março, num esforço por recapitalizar o principal banco da ilha, as autoridades cipriotas impuseram uma perda de 47,5% dos depósitos que excediam o limite de 100 mil euros. Com esta medida, os depositantes perderam um total estimado de 10,6 milhões de euros. O exemplo de Chipre, tomado como laboratório deste modelo de confisco de fundos privados, tornar-se-á cada vez mais prático para a banca como mecanismo de obtenção de recursos. Este fato põe em perigo todas as contas bancárias privadas e as poupanças dos fundos de pensões que a banca usa para especular nos mercados. A Polônia conseguiu reduzir a sua dívida pública pela via do confisco dos fundos de pensões. Os ministros de Finanças da UE não apenas patrocinam estas novas medidas da banca, mas vão além disso: estão prestes a aprovar um plano para obrigar os detentores de bônus e acionistas a financiar as futuras falências bancárias com fundos privados, antes de continuar a fazê-lo com os fundos públicos que são dos contribuintes. Este fato, que já está em curso na Itália, Polônia, Nova Zelândia e Canadá, estreará em breve nos Estados Unidos e será o mecanismo que vai evitar a falência em massa do sistema bancário, desta vez com os depósitos e fundos de pensões das pessoas físicas. Dado que muitos destes depósitos se encontram num complicado novelo de derivados financeiros, os depositantes não terão facilidade de retirar o seu dinheiro para o guardar debaixo do colchão. E de nada servirão os processos contra a banca contra estes confiscos, dado que contam com o apoio pleno dos governos. Mais uma demonstração da simbiose hegemônica que envolve o poder político com o poder econômico. Marco Antonio Moreno é economista e escreve para El Blog Salmón, de Madri.
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