Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2026

Bancos reduzem juros para conter recessão

Os Estados Unidos prevêem um corte na taxa básica de juros, que deverá ser repetida pelo Banco do Japão, Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra até o fim da próxima semana, para impulsionar as economias locais. O Banco do Japão, por sua vez, estuda redução dos juros na próxima sexta-feira

Quarta, 29 de Outubro de 2008 às 10:57, por: CdB

Os Estados Unidos prevêem um corte na taxa básica de juros, que deverá ser repetida pelo Banco do Japão, Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra até o fim da próxima semana, para impulsionar as economias locais. Apesar de terem dispensado uma ação coordenada, como feito no início de outubro, as autoridades monetárias de diversos países estão fazendo cortes individuas de suas taxas básicas para tentar amenizar os efeitos da pior crise financeira dos últimos 80 anos.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) também define a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está 13,75%. Essa taxa remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e é usada pelo BC como instrumento de controle da inflação.

Quanto mais alta a Selic, mais caro fica o crédito e mais desestimula o consumo de bens e serviços. Por conseqüência, os preços são reduzidos. Quanto a Selic é alta, os bancos preferem comprar títulos do governo, remunerados pela Selic, do que emprestar aos consumidores. Entretanto, nesta reunião o Copom analisa perspectivas e trajetória de inflação, além dos efeitos do agravamento da crise financeira internacional, que tem restringido o crédito no país.

A situação levou o governo a adotar várias medidas para aumentar os recursos disponíveis na economia. Com isso, analistas argumentam que o BC não deveria usar a mesma estratégia de elevação da Selic, como fez em reuniões anteriores do colegiado. Há também o argumento de que vários bancos centrais no mundo reduziram os juros básicos em função da crise financeira internacional. Hoje, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) também anuncia sua nova taxa de juros.

No início deste ano, a Selic estava em 11,25%, permaneceu assim em março, subiu para 11,75% em abril, e na reuniões seguintes do Copom também foi elevada: 12,25% em junho, 13% em julho e 13,75% em setembro. A reunião de hoje é a penúltima prevista do ano. A última reunião do ano está marcada para dezembro.

A taxa de juros fixada pelo Copom é a meta para a Selic e normalmente vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do comitê. No entanto, pode ser definido o chamado viés, que permite ao presidente do BC alterar a taxa a qualquer momento entre as reuniões. A última vez que isso aconteceu foi em março de 2003, quando foi estabelecido o viés de alta, ou seja, o presidente do BC podia elevar a Selic.

No primeiro dia de reunião, nesta terça-feira, os chefes de departamento e o gerente-executivo do BC apresentaram uma análise da economia brasileira e internacional, o que inclui o acompanhamento de preços e possíveis pressões inflacionárias. Hoje, quando será definida a Selic, participam apenas os diretores e o chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), sem direito a voto. Depois de exposições, há uma votação, com busca de consenso. A ata da reunião é divulgada sempre na quinta-feira da semana seguinte, às 8h30.

Panorama mundial

A Hungria tornou-se o mais novo país a procurar ajuda financeira de organismos internacionais. O país acertou um acordo de US$ 25,1 bilhões para dar suporte à moeda e mercados locais. O Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos principais financiadores de pacotes de ajuda, disse que se a crise se prolongar e mais países necessitarem de socorro, a instituição poderá ter que arrumar mais recursos.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano, na sigla em inglês) deve cortar o juro para 1%, como prevêem analistas, decisão amplamente esperado pelos agentes do mercado. Se o juro foi reduzido para 1%, este será o menor patamar da taxa desde junho de 2004. O banco central da Noruega também deve reduzir sua taxa básica de juro em 50 pontos-base para 4,75% nas próximas horas.

O Banco do Japão, por sua vez, vai considerar a possibilidade de reduzir o juro na reunião do comitê de política monetária de sexta-feira. Mas o BC japonês quer acompanhar os desdobramentos do mercado até lá, antes de tomar uma decisão, afirmou uma fonte à agência inglesa de notícias Reuters.

Apostas em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juro japonesa acabou contribuindo para interromper a recente valorização do iene, a moeda local.

A expectativa de cortes de juro acabou contribuindo para valorizações nos mercados acionários. Em Tóquio, o índice Nikkei encerrou o pregão desta quarta-feira com alta de 7,7 por cento.

Na Europa, o principal índice acionário do continente, o FTSEurofirst 300, subia mais de 4%.

Governos ao redor do mundo já se comprometeram em injetar nos mercados cerca de US$ 4 trilhões para tentar por fim à crise que nasceu de problemas no mercado imobiliário dos Estados Unidos.

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