Rio de Janeiro, 19 de Março de 2026

Bancos querem poupança menos rentável

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou ao governo, nesta terça-feira, uma nova fórmula para o cálculo da remuneração da caderneta de poupança, o investimento mais popular do país, com cerca de 70 milhões de aplicadores. Os banqueiros querem usar a Taxa Referencial (TR), instrumento básico de correção mensal da poupança, de forma mais "sensível" à taxa Selic (os juros básicos da economia), de forma que, se a Selic caísse, a poupança acompanharia a queda. (Leia Mais)

Terça, 14 de Novembro de 2006 às 10:09, por: CdB

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou ao governo, nesta terça-feira, uma nova fórmula para o cálculo da remuneração da caderneta de poupança, o investimento mais popular do país, com cerca de 70 milhões de aplicadores. Os banqueiros querem usar a Taxa Referencial (TR), instrumento básico de correção mensal da poupança, de forma mais "sensível" à taxa Selic (os juros básicos da economia), de forma que, se a Selic caísse, a poupança acompanharia a queda. A poupança rende em torno de 6% ao ano, mais correção da TR, cerca de 2,5% no período e resulta, em média, em uma correção monetária de cerca de 8,5% ao ano. A TR é baseada no rendimento de títulos bancários (CDBs e RDBs). Mesmo que a Selic caia, o ganho não é tão afetado.

Acontece, no entanto, que os fundos de investimento, como os de renda fixa, geralmente atrelam a rentabilidade dos papéis à taxa Selic e, com a queda nos juros ao longo do ano, os fundos já não estão mostram o mesmo vigor. Nos últimos dez meses, no entanto, a poupança teve um ganho líquido de 6,96%, enquanto o fundo FI Referenciado do Bradesco, por exemplo, rendeu 6,69%.

Uma poupança mais atrativa, porém, prejudica o lucro dos bancos, como reclama a Febraban, porque 65% dos recursos da poupança devem ir para habitação, por uma norma do Banco Central. Os empréstimos para o setor seguem prazos muito longos, de até 20 anos, e não compensam para os bancos em comparação com o dinheiro que é investido nos fundos. Diretor de Crédito Imobiliário da Febraban e vice-presidente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Natalino Gazonato, disse a jornalistas, nesta terça-feira, que o rendimento da poupança está "incompatível" com o mercado.

- O cálculo da remuneração precisa ser revisto se a taxa Selic continuar caindo - opinou.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) precisará avaliar a proposta da Febraban mas, segundo nota oficial do Ministério da Fazenda, a mudança ainda não começou a ser discutida.

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