Os bancos globais se estabilizaram desde que a crise econômica e financeira os atingiu no ano passado, disse o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, nesta sexta-feira. Mas ainda há trabalho a se fazer para assegurar a retomada do crescimento econômico.
– Acho que estamos em um ponto em que os bancos se estabilizaram, mas ainda não temos uma estratégia para um retorno completo ao crescimento – afirmou Brown em seminário com economistas para discutir a reforma financeira internacional, em preparação para a cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro.
A economia britânica se retraiu em mais de duas vezes o esperado no segundo trimestre, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira. Brown disse que uma questão que pretende trazer ao seminário é o tema das reservas monetárias internacionais, afirmando que as grandes nem sempre são boas.
– Eu quero levantar o assunto das reservas, a manutenção de reservas substanciais, que podem não ser totalmente para o benefício do crescimento da economia global – destacou em comentários iniciais para um pequeno grupo de jornalistas.
Ilusão
Brown afirmou que ainda existe trabalho a ser feito para se alcançar um acordo global para a reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), criado após a Segunda Guerra Mundial.
– Nós gostaríamos de poder apresentar ao G20 em Pittsburgh que existe um consenso crescente sobre a necessidade de reforma das instituições internacionais para que elas possam cumprir todas essas novas tarefas para a economia global. Isso demanda um grande acordo com um apoio maior do que se tem no momento e nós teremos que trabalhar muito para conseguir isso. Mas eu acho que existem ganhos com um entendimento entre os países de mercados emergentes e a América do Norte e Europa sobre o que pode ser feito – disse.
Dados divulgados nesta sexta-feira mostram que a economia britânica contraiu-se mais do que o dobro do esperado no segundo trimestre ao registrar o maior declínio anual em uma série iniciada em 1955, mostraram dados oficiais nesta sexta-feira. A agência nacional de estatísticas informou que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,8% no trimestre, levando a um recuo anual de 5,6%. Analistas esperavam uma retração de apenas 0,3% de abril a junho, após uma queda de 2,4% no primeiro trimestre.
Pessimismo
No outro lado do Atlântico Norte, a confiança do consumidor dos Estados Unidos piorou no fim de junho para o menor nível desde abril, seguindo o pessimismo crescente sobre a perspectiva econômica de longo prazo, mostrou pesquisa divulgada nesta sexta-feira, ainda que alguns economistas reconheçam que a mais longa recessão das últimas décadas possa estar se enfraquecendo.
O índice de confiança do consumidor Reuters/Universidade de Michigan caiu para 66,0 na leitura final de julho, ante 70,8 em junho. Mas a leitura ficou levemente acima das mediana das expectativas dos economistas de 65,0, segundo pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters. O indicador de expectativas do consumidor recuou para 63,2 na leitura final de junho, frente a 69,2 em junho.
"Os consumidores acreditam que a queda livre da economia chegou ao fim, mas veem pouca razão para acreditar que as políticas de estímulo vão melhorar sua condição financeira no curto prazo", segundo comunicado. A receita menor e perspectivas de emprego menos favoráveis no ano que vem são os principais fatores que estão deixando os consumidores preocupados com sua posição financeira, segundo o levantamento.
O índice de condições atuais recuou para 70,5 na leitura final de julho, ante 73,2 em junho.