Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Bancos franceses e alemães não cumpriram compromissos com a Grécia

Sábado, 01 de Fevereiro de 2014 às 10:33, por: CdB
troia.jpg
A Grécia não recebeu apoio dos bancos franceses e alemães
Citando atas confidenciais do Fundo Monetário Internacional (FMI), datadas de maio de 2010, o diário conservador espanhol El País revela que a "Alemanha, França e Holanda, num dos piores momentos da crise do euro, assumiram o compromisso de que os seus bancos apoiariam a Grécia e não venderiam dívida helênica", tendo sido essa uma das garantias dadas “para vencer as importantes resistências no seio do FMI” no que respeitava a conceder “o maior pacote de empréstimos da sua história”. “Mas os três sócios europeus não cumpriram a sua palavra, agravando assim a crise”, refere o diário espanhol, avançando que os três países, após a aprovação do plano de intervenção, começaram a desfazer-se dos títulos que “queimavam as suas mãos”. Segundo avança o El País, após a aprovação do primeiro pacote de financiamento aprovado entre a troika e o governo grego, os bancos alemães, franceses e holandeses começaram a vender os títulos de dívida helênica “com a toda a pressa, jogando gasolina sobre a crise grega e ajudando a que esta se propagasse”. No início de 2012, quando já se tornara evidente a necessidade de um segundo pacote de financiamento, e um perdão parcial da dívida por parte dos credores privados, os bancos alemães, franceses e holandeses apenas tinham US$ 66 bilhões em títulos gregos, quase metade do que se encontrava em seu poder dois anos antes. No final de 2013, a cifra era de US$ 34 bilhões, o que representa um decréscimo de 72%, face a 2010. O El País avança ainda que as atas do FMI mostram que as divergências e as dúvidas sobre o sucesso do plano começaram logo a 10 de maio. Ainda que Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda e Dinamarca tenham emitido um comunicado conjunto no qual apoiavam que o FMI emprestasse dinheiro à Grécia, países como a Chinesa, Egito e Suíça alertaram para o risco de que as análises conjuntas acabassem por revelar “diferenças de critério entre as três instituições representadas”, assinalava o memorando, assinado por Francesco Spadafora, assessor do diretor executivo do FMI. “Com o tempo, esses choques fizeram-se evidentes. Quando o FMI admitiu que se equivocou ao subestimar os efeitos dos recortes na economia grega, a Comissão Europeia revelou-se indignada negando qualquer erro”, lembra o El País. Se, por um lado, a China e a Suíça alertavam sobre “a possibilidade de os prognósticos de crescimento para a Grécia serem demasiado otimistas”, defendendo que “inclusive um ligeiro desvio sobre o cenário base poderia pôr em risco a sustentabilidade da dívida grega”, os representantes do Fundo respondiam a estes “temores”, sublinhando que também existia a possibilidade de a Grécia crescer mais do previsto. Argentina, Austrália, Canadá, Brasil e Rússia assinalavam, à época, “os imensos riscos’ do programa, não só para a Grécia, senão para o prestígio do FMI”. “Outros países apontaram um risco que finalmente se converteu em realidade: a necessidade de conceder um perdão parcial face à impossibilidade grega de pagar todas as suas dívidas”, refere o diário espanhol.
Tags:
Edições digital e impressa