Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Bancos centrais injetam bilhões na economia mundial, mas crise não dá sinais de calmaria

Os principais bancos centrais do mundo uniram forças nesta quinta-feira para injetar bilhões de dólares nos mercados globais em um esforço dramático para estimular os empréstimos interbancários, congelados pela crise de Wall Street. Em um movimento surpresa, o Fed colocou mais US$ 180 bilhões à disposição dos bancos centrais ao redor do mundo para que eles possam emprestar recursos para os bancos comerciais locais, uma tentativa de aumentar a liquidez dos mercados.

Quinta, 18 de Setembro de 2008 às 08:53, por: CdB

Os principais bancos centrais do mundo uniram forças nesta quinta-feira para injetar bilhões de dólares nos mercados globais em um esforço dramático para estimular os empréstimos interbancários, congelados pela crise de Wall Street. Em um movimento surpresa, o Fed colocou mais US$ 180 bilhões à disposição dos bancos centrais ao redor do mundo para que eles possam emprestar recursos para os bancos comerciais locais, uma tentativa de aumentar a liquidez dos mercados.

Os bancos centrais, incluindo o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu (BCE), também emprestaram capital extra em suas moedas locais, à medida que os mercados oscilavam observando uma rodada de fusões e aquisições entre as instituições financeiras e renovavam as preocupações sobre como a economia dos Estados Unidos vai lidar com a crise. Mercados de moeda em bom funcionamento, onde bancos emprestam capital de curto prazo uns aos outros para acertar as variações diárias de seus balanços, são cruciais para a operação adequada do sistema financeiro e da economia de um modo geral.

Os bancos ao redor do mundo têm respondido à restrição de crédito, estimulados pela migração de investidores para ativos seguros, como ouro e títulos públicos, através da injeção de capital nos mercados e de garantias verbais. Entretanto, o sucesso dessa estratégia tem sido limitado até agora. Analistas disseram que o capital extra acalmou o mercado, mas isso deve ser temporário.

Os bancos centrais do Japão e do Canadá também integraram a ação global, que funcionará até o fim de janeiro do ano que vem, e concordaram com as novas linhas de swap de dólar com o Fed, apesar de não terem anunciado planos imediatos para utilizá-las.

"Essas medidas, juntas com outras ações tomadas nos últimos dias individualmente por bancos centrais, foram planejadas para melhorar as condições de liquidez no mercado financeiro global. Os bancos centrais continuam a trabalhar juntos e vão dar os passos apropriados para lidar com as novas pressões", declararam os bancos centrais em um comunicado conjunto.

Crise de 29

A crise nos Estados Unidos, cujo capítulo mais recente foi a quebra do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos daquele país, ainda está longe do fim, afirmam especialistas consultados nesta quinta-feira.

A falência do Lehman Brothers foi um capítulo à parte na porque o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, não emprestou dinheiro para evitar a concordata do banco.

– O mercado entendeu isso como uma mudança de rota e se assustou com a decisão (do Fed) – explica Tharcisio Bierrenbach de Souza Santos, diretor do curso MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) de São Paulo. Em março, o Fed emprestou dinheiro para que o banco JP Morgan comprasse o quase falido Bear Stern.

Segundo o professor Antonio Correa de Lacerda, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), "a inadimplência no crédito afetou a saúde financeira dos bancos e isso desencadeou a crise na bolsa". A crise, lembram os especialistas, foi provocada por problemas no mercado imobiliário americano.

– Guardadas as devidas proporções, esta crise tem o tamanho e a gravidade da crise de 1929 – acredita Santos.

Ele explica que o mundo hoje está mais preparado do que na década de 30, quando a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou.

– Hoje o mercado esta mais controlado, temos uma série de mecanismos para não deixar a situação se alastrar – afirmou.

A crise econômica, segundo especialistas, não tem hora para acabar. E, segundo o diretor da FAAP, a bolha norte-americana não é a única.

– Há situações semelhantes em diversos países da Europa, como a Holanda e a Inglaterra e até mesmo na Oceania, na Nova Zelândia e na Austrália – diz.

Mas como esta crise afeta o cidadão comum no Brasil? O economista Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultoria, explica que por hora o país não está sentindo os efeitos da crise.

– O principal efeito é a queda de commodities, que não se reflete diretamente na economia real, só no mercado de exportações – ensina.

Para o professor da PUC, as bolsas de valores estimulam o crescimento e o surgimento das empresas e o movimento da economia acompanha seu ritmo.

– Uma crise profunda diminui a capacidade de expansão das empresas e, conseqüentemente, de gerar empregos – afirmou.

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