Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Bancos centrais atentos às avarias causadas pela crise do capitalismo

Terça, 01 de Dezembro de 2009 às 11:18, por: CdB

O Banco Central da Austrália elevou os juros básicos pelo recorde de três meses consecutivos nesta terça-feira, afastando as taxas ainda mais dos patamares vistos durante a crise em meio à recuperação mais avançada da economia em relação a outros países. O Reserve Bank of Australia (RBA) subiu as taxas de juros em 25 pontos básicos, para 3,75%, e chamou os seus três aumentos de ajuste material, mas não ofereceu detalhes sobre outras medidas.

– A única diferença é a menção de que o ajuste das taxas é material. Isso pode sugerir que eles estão mais próximos do ponto inicial para parar – disse David de Garis, economista sênior do National Australia Bank.

Para ele, o banco central deve subir os juros ainda em fevereiro e março, dada a força da economia e o ainda baixo nível das taxas de juros. O RBA não tem reunião de política marcada para janeiro. O presidente do BC australiano, Glenn Stevens, afirmou repetidamente que reduziu muito as taxas de juros por medo de uma crise econômica, e que agora que a economia está se recuperando, esse estímulo não é mais necessário.

– Três altas em três meses não me parece tão gradual. A julgar pelas suas medidas, esse é um banco central que pensa que as taxas estão muito baixas e que pretende aumentá-las. As pessoas devem esperar outra mudança em fevereiro – disse Brian Redican, economista sênior da Macquarie.

Fora de controle

Na Rússia, caso haja sinais de descompasso financeiro, o Banco Central pode adotar medidas leves de controle de capital se a situação de fluxo de recursos para o país ficar preocupante, disse o primeiro-vice-presidente do banco central, Alexei Ulyukayev, nesta terça-feira.

– Pode acontecer... se a situação se tornar alarmante. Por enquanto, estamos estudando a situação –  afirmou ele a jornalistas após uma conferência em Londres.

Autoridades russas já disseram estarem considerando uma faixa de medidas possíveis para conter o fluxo de capital especulativo.

Mais dinheiro

Já o Banco do Japão disse, ainda nesta terça-feira, que colocará mais dinheiro no sistema bancário, em uma decisão que se seguiu a uma reunião emergencial convocada em meio à pressão política para combater a deflação e evitar uma nova recessão. A reação do mercado à decisão do banco central de oferecer 10 trilhões de ienes em recursos de três meses a 0,1% sugere que os investidores estavam esperando uma ação mais forte, já que o ministro das Finanças levantou expectativas nesta terça-feira ao falar abertamente sobre uma política de "quantitative easing".

O BC também decidiu manter a taxa básica de juros do país em 0,1%. Para analistas, as medidas anunciadas pelo BC são o reconhecimento das demandas do governo para uma resposta à deflação e ao risco de recessão.

– Se eles (BC) fossem livres de pressão, eles não teriam feito nada, por eles têm dito que a visão deles não mudou – disse Dariusz Kowalczyk, estrategista-chefe do SJS Markets em Hong Kong.

Depois de rebater as críticas do governo de que sua visão sobre a economia era otimista demais, o BC mostrou sinais de que estaria cedendo e os analistas previam que a autoridade iria colocar dinheiro no sistema bancário.

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