Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Bancos ajustam posições e dólar fecha em alta

Quarta, 01 de Junho de 2005 às 14:29, por: CdB

O dólar  encerrou novamente em alta de mais de 1 por cento nesta quarta-feira, em meio a um forte movimento de redução de posições vendidas. A divisa subiu 1,41 por cento e fechou a 2,444 reais, no maior nível do dia.

Segundo analistas, o mercado ainda refletiu nesta sessão os comentários feitos na véspera pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, de que o BC pode retomar as compras de dólares se as condições permitirem.

- Ontem, depois que o Azevedo falou que ainda tinha espaço para recompor as reservas, o mercado acordou para um fato: de que está todo mundo muito vendido - apontou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora. "Então as tesourarias foram ajustar posições só pela possibilidade de o BC voltar ao mercado."

Dados desta manhã mostraram que o fluxo cambial de maio ficou negativo em 811 milhões de dólares, mas os bancos acentuaram suas posições vendidas para 3,311 bilhões de dólares.
Analistas destacaram que o saldo negativo não surpreendeu tanto já que as operações financeiras vinham mostrando um déficit alto desde abril, e o número principal foi o registro de posições vendidas.

- O volume de posições vendidas é muito grande e, contando que não tem tanto dólar assim entrando no mercado, o pessoal optou por reduzir um pouco isso - disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do banco Prósper.

A diretora da AGK destacou, no entanto, que o movimento de zeragem de posição vendida não deve continuar de forma acentuada nos próximos dias. "Até porque, se começam a puxar muito a taxa, ela vai deixar de ser atrativa para o BC, deixa de ser oportuna a entrada dele."

Ela acredita que o dólar deve ficar próximo do nível atual até que se confirme o retorno da autoridade monetária. Há mais de dois meses o BC não realiza leilões de compra de dólares e de swaps cambiais invertidos.

"E ainda não é o momento de fazer hedge em dólar. O cenário ainda é de queda do dólar", disse Miriam, citando a taxa básica de juros elevada e as recentes captações de empresas privadas e do Tesouro Nacional.

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