O Banco Mundial (Bird/AID) estimou que o Brasil teve uma expansão de 2,2% em 2013 e que o crescimento será de 2,4% em 2014, de acordo com seu relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado na terça-feira. O Banco elevou na terça-feira sua previsão de crescimento global pela primeira vez em três anos, na medida em que as economias avançadas começam a acelerar o ritmo, lideradas pelos Estados Unidos. A perspectiva mais otimista sugere que a economia global está finalmente se libertando de uma longa e lenta recuperação após a crise financeira global.
A instituição projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) global irá crescer 3,2% neste ano, ante 2,4% em 2013, de acordo com o relatório. Na última estimativa do banco, em junho, ele esperava que o crescimento global atingisse 3% em 2014. O banco afirmou que a economia global chegou a um "ponto de inflexão", uma vez que a austeridade fiscal e as incertezas políticas não pesam mais com tanta força na maioria das economias mais ricas. O banco espera crescimento mais forte nos Estados Unidos em particular, de 2,8% em 2014, ante 1,8% no ano passado.
"Pela primeira vez em cinco anos, há indicações de que uma recuperação autossustentável começou entre país de renda alta --sugerindo que eles podem agora se juntar a países em desenvolvimento como um segundo motor de crescimento na economia global", afirmou no relatório o economista-chefe do banco, Kaushik Basu.
O banco mais uma vez cortou suas estimativas para países em desenvolvimento, para 5,3% em 2014, ante 5,6% previstos em junho. Os mercados emergentes cresceram no ritmo mais lento em uma década nos últimos dois anos, depois de conseguirem taxas de crescimento de cerca de 7,5% antes da crise financeira global em 2008.
Andrew Burns, principal autor do relatório, disse que o crescimento antes da crise reflete fatores cíclicos.
– Estamos entrando em uma nova fase em que países em desenvolvimento estão crescendo a uma taxa muito mais próxima de sua taxa sustentável intrínseca de crescimento – disse ele a repórteres.
Redução de estímulos
À medida que as economias avançadas se fortalecem, os países podem começar a retirar o forte estímulo monetário anunciado no auge da crise. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, começou a reduzir seu plano de compra mensal de ativos neste mês, embora tenha expectativa de manter as taxas de juros baixas pelo menos por mais um ano. O Banco Mundial informou que espera que as taxas mundo afora subam gradualmente, causando perturbações mínimas nos países em desenvolvimento conforme as entradas de capital desaceleram.
"Qualquer que seja o peso que isso implica para o crescimento dos países em desenvolvimento, ele é mais do que compensado pela demanda maior de exportação devido ao crescimento mais forte da alta renda dos países", segundo o relatório. Entretanto, se as taxas saltarem de repente, os países com elevados níveis de dívida ou com grandes déficits de conta corrente, como a Tailândia e a Malásia, seriam os mais vulneráveis.
O banco informou que, embora os riscos à sua perspectiva global, incluindo a intensa reorganização na China, a prolongada recuperação da zona do euro e a incerteza da política fiscal nos EUA, não tenham sido eliminados, eles foram minimizados.