Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Banco Mundial decide combater a miséria

Paul Wolfowitz, em seu primeiro discurso sobre sua política como presidente do Banco Mundial (Bird) aos países membros da organização, defendeu resultados tangíveis dos programas de combate à pobreza, estabelecendo um novo caminho para uma instituição que, segundo seus críticos, perdeu o rumo. (Leia Mais)

Sábado, 24 de Setembro de 2005 às 11:19, por: CdB

Paul Wolfowitz, em seu primeiro discurso sobre sua política como presidente do Banco Mundial (Bird) aos países membros da organização, defendeu resultados tangíveis dos programas de combate à pobreza, estabelecendo um novo caminho para uma instituição que, segundo seus críticos, perdeu o rumo. Em um discurso feito neste sábado para as principais comissões de determinação de políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, Wolfowitz fez a primeira apresentação clara de como chefiará a principal agência mundial de desenvolvimento nos próximos cinco anos.

Wolfowitz apresentou uma agenda que aponta as prioridades do banco que, dizem os críticos, afastou-se demais de sua missão principal, de reduzir a pobreza, e se atolou em burocracia. O escolhido do governo Bush para chefiar o banco disse que vai promover medidas anticorrupção, a responsabilidade, boa gestão, de desenvolvimento da educação, saúde, além do fortalecimento de programas de infra-estrutura e voltados para a agricultura.

- Ao investir em educação, saúde, infra-estrutura, agricultura, ambiente, nós do Banco Mundial temos de ter certeza de apresentar resultados. E, por resultados, deixe-me ser claro, quero dizer resultados que tenham um impacto real no dia-a-dia dos pobres. Somos responsáveis por eles - disse Wolfowitz aos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais de todo o mundo.

Ao impulsionar programas movidos por resultados, Wolfowitz vai atender a um antigo objetivo do governo dos EUA e que foi uma das fontes de atrito entre o ex-presidente do Banco Mundial James Wolfensohn e o Departamento do Tesouro de Bush. A Casa Branca entrou em confronto com Wolfensohn quanto às práticas de ceder empréstimos do banco, exigindo mais provas de que os projetos estavam reduzindo a pobreza e que o dinheiro não estava sendo desperdiçado em programas mal concebidos ou em burocracia.

Wolfensohn, nomeado por Clinton, foi para o Banco Mundial procedente de Wall Street e se concentrou em tornar a instituição relevante e também chamou a atenção para a pobreza e a corrupção globais.

- Wolfowitz está dizendo que, para ter sucesso na criação de oportunidades para as pessoas mais pobres, devemos dar prioridade aos nossos esforços e focalizar em obter resultados mensuráveis no lugar em que isso conta - observou um funcionário sênior do Banco Mundial.

África é prioridade

Wolfowitz também reiterou que a África é uma prioridade do Banco Mundial, enquanto ele procura manter o foco global sobre um continente acossado pela pobreza. Pouco depois de o ex-subsecretário da Defesa dos EUA tomar nas mãos as rédeas do Banco Mundial, em junho, ele visitou a Nigéria, Burkina Faso, Ruanda e África do Sul.

- Se pudermos contribuir para liberar as energias do povo africano e soltar o poder do setor privado para criar empregos, a África não apenas se tornará um continente de esperança, mas também um continente de realização - disse Wolfowitz.

Wolfowitz também defendeu mais responsabilidade política:

- Líderes eficazes também reconhecem que têm que prestar contas a seu povo", disse. "Líderes eficazes ouvem. Instituições que cobram responsabilidade e prestação de contas, como a sociedade civil e uma imprensa livre, contribuem para fazer os líderes ouvirem, ser responsáveis pelos resultados e são decisivas no controle da corrupção.

Propôs, ainda, mais ação no combate à corrupção.

- A corrupção drena os recursos e desencoraja os investimentos. Beneficia os privilegiados e despoja os pobres - disse Wolfowitz.

Desde a sua nomeação, Wolfowitz vem dizendo que é favorável à continuidade do que foi iniciado Wolfensohn, enviar mais pessoal para os países que têm programas do Banco Mundial, ao invés de manter as pessoas em Washington.

- Os nossos esforços para desenvolver a capacidade devem incluir o nosso próprio pessoal, particularmente dos países em desenvolvime

Tags:
Edições digital e impressa