O Departamento de Economia do Santander, em nota divulgada nesta sexta-feira, diz acreditar que a taxa básica de juros será reduzida em 25 bps na reunião do Comitê de Política Monetária – Copom, que termina dia 5 de setembro. A piora do balanço de riscos sustenta a perspectiva de que o ritmo de cortes será reduzido, em relação aos 50 bps da reunião anterior.
Do lado externo, ainda segundo a nota, o aumento da aversão ao risco decorrente das incertezas associadas ao mercado imobiliário norte-americano adiciona um componente de dúvida em relação ao cenário prospectivo para a inflação. Apesar de não ser o cenário mais provável, aumentaram as chances de mudanças estruturais na economia global, com possibilidade de redução de preços de commodities e depreciação do real, o que provocaria impacto direto na inflação.
Domesticamente, de acordo com a opinião dos economistas do banco, acentuaram-se os fatores de risco associados ao crescimento da demanda, que se mostra robusta e já dando sinais de contribuição para o crescimento da inflação corrente e das expectativas. O choque de preços de alimentos tem sido o principal responsável pelas surpresas inflacionárias dos últimos meses, e por afetarem de forma mais direta as camadas mais pobres da população, pode atuar também sobre as expectativas futuras.
"Apesar da deterioração observada no balanço de risco, o cenário mais provável ainda é de cumprimento das metas de inflação, inclusive com certa folga, o que justifica a continuidade da política de afrouxamento monetário. As expectativas do mercado para a inflação de 2008, horizonte relevante para a política monetária, estão em 4% contra uma meta de 4,5%, praticamente igual à projeção do BC apresentada no último relatório de inflação", concluiu a nota.